06/09/2020 às 07:12h
Família quer o 'perdão' para adolescente que matou Isabele
Natacha Wogel - editora de A Gazeta

Depois de questionar o trabalho de perícia oficial realizado no dia do crime e colocar em xeque o depoimento do menor que transportou e municiou a arma usada no disparo que matou a adolescente Isabele Guimarães Ramos (14), a defesa da família da acusada, uma menor também de 14 anos, tenta o instituto jurídico da remissão para que haja o encerramento do caso antes de iniciado o processo judicial.

 

Se aceito pela autoridade policial e pelos membros do Ministério Público (MP), o instrumento, uma espécie de perdão, previsto no artigo 126 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pode vir a colocar fim ao caso, desde que a menor responsabilizada cumpra alguns acordos perante à Justiça para cumprimento de medida socioeducativa, que não incluem a internação, nem mesmo em regime semiaberto.  

 

Na petição encaminhada à Polícia Civil e ao MP, intitulada ‘razões escritas’, a defesa da família de Marcelo Martins Cestari (46), pai da adolescente que cometeu ato infracional análogo a homicídio doloso, sustenta a tese de que o fato ocorrido na noite de 12 de julho foi uma “sequência de infelicidades do caso concreto que culminou na morte da vítima”. Baseia-se numa suposta inconsistência do laudo pericial de local, feito no dia do fato, tendo em vista o perito não ter levado em consideração que o corpo foi mexido para que fosse feita a reanimação da garota, sob orientação do socorrista do Serviço Móvel Ambulatorial, e também pela mãe da vítima, quando tentou ver se ainda tinha pulso.    

 

Também fala que o namorado da atiradora, rapaz de 16 anos que tem demonstrada habilidade com tiro esportivo, faltou com a verdade durante seus depoimentos ao afirmar, entre outras coisas, que foi convidado por Cestari para levar a arma à sua casa no dia anterior, para “dar uma polida no sear (parte da arma)”.  

 

Por fim o pleito, feito em nome do empresário Marcelo Cestari, menciona que a autora do disparo vem sofrendo constante hostilização em virtude dos fatos, a despeito do que houve com Isabele, vítima fatal do acontecido. “...decorreu de um trágico acidente que vitimou-a momentaneamente, mas vem vitimando, dia após dia, a menor B., exposta indevidamente perante a imprensa, vulgarizada em programas televisivos e agredida verbalmente até mesmo no ambiente escolar”, expõe. O pedido também inclui o arquivamento do inquérito policial que indiciou Cestari por homicídio culposo e a realização de perícia metalográfica e de microscopia eletrônica tanto no case, quanto na parte externa do banheiro onde Isabele foi morta.

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