13/04/2020 às 10:29h
CBF quer volta aos treinos. Mas Medo de contágio e processos é real

A Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, e a Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, fizeram um estudo fundamental para a volta ou não do futebol no mundo.

 

Depois de simulações em computadores e laboratórios ficou comprovado que gotículas de saliva, de alguém correndo, contaminado com o coronavírus, pode espalhar o covid-19 até por 20 metros.

 

E caminhando, até quatro metros. Já se sabia que um espirro pode atingir o raio de oito metros. Esses dados chegaram até a Fifa pela Organização Mundial da Saúde.

 

Por isso, Gianni Infantino refreou sua ansiedade em promover a volta do futebol, mesmo pressionado por bilionários  contratos com patrocinadores e as mais poderosas redes de tevês do mundo. "Nenhum jogo de futebol vale mais do que uma vida". "Seria mais do que irresponsável obrigar as competições a recomeçar". "Se tivermos de esperar mais um pouco, vamos esperar."

 

A postura do presidente da Fifa foi clara, firme. E  ele estava se referindo aos torneios mais importantes do mundo, a Champions League e os Campeonatos  Nacionais da Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália.

 

Infantino já demostrou publicamente na semana passada, que a Fifa não vai se dobrar. Mas na América do Sul, mais precisamente no Brasil, o movimento é antagônico. A CBF, pressionada pelas Federações e clubes, querem o retorno do futebol o mais rápido possível. Na primeira quinzena de maio.

 

Para isso, a entidade, discretamente, com a coordenação do médico Jorge Pagura, médicos de clubes e um infectologista, sim, um infectologista Sérgio Wey, redigiu um manual para a volta dos jogadores das Séries A,B,C e D aos treinos.

 

A CBF alega que se inspirou em procedimentos que já começaram a ser adotados na Espanha, de Portugal, Japão e da Alemanha. Mesmo com o campeonato suspenso na Europa até o final deste mês, alguns clubes voltaram aos treinos.

Como o Bayern de Munique, que vem recebendo várias críticas de médicos.

 

Os principíos que serão usados no Brasil são básicos. Primeiro, os aparelhos de testes do coronavírus, o Flamengo já adquiriu 600. Depois, a aquisição de medidores de temperatura à distância. Os treinamentos vão impor atletas separados, com dois metros de distância. Cozinha e vestiários ficarão fechados.

 

Os jogadores deverão vir com uniforme de treinos e tomarem banho nas suas casas. Quem estiver contundido fará tratamento com máscaras, tratados por médicos e fisioterapeutas de luvas e também máscaras.

 

E por decisão da CBF, os primeiros torneios a voltarem são os Estaduais. Para evitar que os clubes sejam obrigados a viajar no Brasileiro e na  Copa do Brasil.

 

Por isso, São Paulo, por exemplo, cogita fazer as partidas que faltam em uma só cidade. Talvez a capital, com vários estádios. Mas os jogos seriam de portões fechados. Com a torcida proibida de ficar nas imediações dos estádios.

 

O sonho de Rogério Caboclo é que o futebol retorne mesmo na primeira quinzena  de maio. Só que não há nada de concreto, que aponte para a liberação da Organização Mundial de Saúde. Pelo contrário. A ordem segue até mais firme para que o confinamento seja mantido.

 

Os dirigentes brasileiros já estão sabendo dessa situação. E  há uma postura simbólica. Firme, decisiva. O presidente do Fluminense, o advogado Mário Bittencourt, já se coloca absolutamente contra a volta dos campeonatos.

 

Enquanto prevalecer o veto da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúce. Bittencourt é presidente da Comissão Nacional dos Clubes. Advogado importante, ele sabe que, se algum atleta ou funcionário for infectado pelo coronavírus, poderá processar o clube que trabalha, ficaria impossível provar que o contágio aconteceu ou não em uma partida. Ou até treino.

 

Seria um grande risco jurídico para todos. A não ser com a liberação da OMS. E do Ministério da Saúde.

Além da Fifa. Os dirigentes de clubes se dividem. Eles começam a sentir os efeitos financeiros da paralisação.

Assim como os atletas, que tiveram seus contratos reduzidos.

 

O ideal seria o retorno do futebol imediato. A CBF não quer mais dar dinheiro aos clubes. Assim como as Federações.

Outros presidentes de clubes estão preocupados com a pandemia. Sabem do risco mortal do vírus. E do risco dos treinos, quanto mais dos jogos, a curto prazo. Esse é retrato atual do futebol brasileiro. Completamente desfocado...

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