01/10/2019 às 06:53h
PF quer saber se frigorífico de ex-senador continua pagando propina
OPERAÇÃO CARNE FRACA



O delegado da Polícia Federal Maurício Boscardi Grillo, responsável pela 4ª fase da Operação Carne Fraca, denominada "Romanos", afirmou em coletiva que o frigorífico União Avícola, do ex-senador Cidinho Santos (PL), será investigada para saber se continua pagando vantagens indevidas a fiscais federais.  

 

Em coletiva nesta terça-feira (1) em Curitiba, Boscardi ficar que ainda não é possível saber se existe uma ligação direta de Cidinho no esquema, porém, sua empresa, que é uma das terceirizadas pela BRF, efetuou alguns pagamentos para um dos fiscais do Ministério da Agricultura.   

 

"Era uma das empresas utilizadas pelo grupo para poder pagar vantagem indevida para os fiscais. Isso está enrobustecido em termos de provas que estão juntadas nos autos", disse o delegado, afirmando que a busca e apreensão foi determinada para saber se o pagamento de propina continua .

 

"Precisamos confrontar essas provas e procurar saber se essa empresa ainda toma esse tipo de postura, porque é possível que isso venha a acontecer, porque é uma empresa consolidada individualmente, não está vinculada diretamente ao grupo BRF, então ela pode continuar agindo dessa forma", complementou.   

 

De acordo com as investigações, Davy Gregório era médico veterinário da Prefeitura de Nova Mutum (264 quilômetros ao norte de Cuiabá) e conveniado ao Mapa, onde  atuava no Serviço de Inspeção Federal (Sif) do mesmo município, onde permaneceu até 2017, quando deixou o cargo público e se tornou funcionário da BRF.      

 

"Ocorre que enquanto funcionário ligado ao SIF, Davy recebeu indevidamente pagamentos da BRF através de interposta pessoa jurídica. Para tanto, o fiscal constituiu a D. M. de Mattos Gregorio ME (relatório RADAR em ANEXO), percebendo então valores que antes lhe eram pagos em espécie", diz trecho do documento assinado pela procuradora da República Lyana Helena Joppert Kalluf e o procurador da República Ovaldo Sowek Junior.      

 

As investigações apontam que as notas fiscais era referentes a "serviços supostamente prestados à União Avícola, que lhe pagava e era compensada em encontro de contas com a companhia BRF".      

 

Como prova foi apresentado um e-mail entre funcionários da BRF, que mostraria que a nota fiscal "suportava o pagamento feito pela União Avícola para a empresa de DAVY, em virtude de sua atividade junto ao SIF, havendo posterior encontro de contas entre União Avícola e BRF".   

 

O escritório em Cuiabá e o frigorífico União Avícola, em Nova Marilândia (392 quilômetros a médio-norte de Cuiabá), foram alvos de busca e apreensão.   

 

Além de Mato Grosso, os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, também tiveram diligências da PF. Ao todo 60 auditores fiscais, foram alvos. A investigação aponta que o valor pago em propina ultrapassa os R$ 19 milhões. 

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