01/08/2019 às 01:50h
Defesa diz que Arcanjo era dono, mas não comandava factoring; Júlio Campos atesta

advogado Zaid Arbid, responsável pela defesa do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, defendeu que ele não teria qualquer gerência sobre as atividades da Confiança Factoring, apontada pelo Ministério Público Estadual (MPE) como responsável por lavar dinheiro desviado da Assembleia entre 2001 e 2002.

Nesta quarta (31), a juíza Ana Cristina Silva Mendes retomou as audiências na 7ª Vara Criminal de Cuiabá de três ações penais da Operação Arca de Noé das quais Arcanjo é réu. Em depoimento, o ex-senador Júlio Campos (DEM) confirmou que Nilson Roberto Teixeira seria o responsável por gerenciar e negociar em nome da Confiança. Também foram ouvidos o empresário Diniz Almeida Queiroz Junior e o servidor da Assembleia Celso Emilio Calhao.

"O Arcanjo sempre foi empreendedor, ele tinha diversos negócios. Então ele tinha quem mandava e desmandava dentro da empresa. Agora, responsabilidade penal, ainda no nosso direito, ela é subjetiva. Não é por ser dono de uma empresa, que tem um gerente ou um sócio, ele vai ser responsável pelos atos ilícitos que eventualmente praticar, se é que foram praticados atos ilícitos", disse Zaid após a audiência.

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), o grupo liderado pelos ex-deputados José Riva e Humberto Bosaipo, com participação de Arcanjo, teria desviado recursos da Assembleia por meio de empresas fantasmas. Até mesmo uma empresa de vestuário, que fornecia calcinhas, teria sido utilizada pelo suposto grupo criminoso.

Que eu me lembre, naquela época o Estado tinha dificuldade de cumprir compromissos com outros poderes

Julio Campos

A defesa entende que a movimentação de recursos da Assembleia pela factoring pode ter sido irregular, mas não ilegal. Do ponto de vista dos cheques, notas promissórias e outros documentos apresentados à Confiança, a empresa entendia que os negócios eram legais.

O ex-senador Júlio Campos disse que tinha à época negócios com a factoring. Ele confirmou que tratava na empresa sempre com o gerente-geral Nilson Teixeira, e também afirmou que os empréstimos feitos pela Assembleia para custear operações eram uma situação comum e de conhecimento geral à época, em razão da crise financeira vivida pelo Estado.

"Que eu me lembre, naquela época o Estado tinha dificuldade de cumprir compromissos com outros poderes. Até hoje continua com essas dificuldades. Era a gestão Dante de Oliveira, tinha aquela crise. José Riva ou Bosaipo estavam à frente da Assembleia. Eles buscavam essas agências de fomento para quitar esses valores. A Confiança do comendador Arcanjo era muito procurada para isso", afirmou.

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