30/05/2019 às 12:44h
PIB do Brasil cai 0,2% no 1º trimestre e tem primeira retração desde 2016
G1 | 30/05/2019 10:16:18

Não houve revisão do resultado do 4º trimestre, afastando a chance de o país já ter entrado em uma recessão técnica. Segundo IBGE, consumo das famílias impediu PIB ainda pior.

 












O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,2% no 1º trimestre, na comparação com o último trimestre do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 1,714 trilhão.

Trata-se da primeira queda desde o 4º trimestre de 2016 (-0,6%).

Apesar de decepcionante, o resultado veio dentro do esperado pelo mercado, confirmando a leitura de maior fraqueza da atividade econômica neste começo de ano e piora das expectativas.

Além de representar uma interrupção da trajetória de recuperação, que já vinha em ritmo lento, o PIB negativo no 1º trimestre traz novamente o risco de volta da recessão (caracterizada, tecnicamente, por dois trimestres seguidos de queda).

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.


Não houve revisão do resultado do 4º trimestre de 2018 (alta de 0,1% na comparação com os 3 meses anteriores), afastando assim a chance de o país já ter entrado em uma recessão técnica como temia parte dos analistas.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o PIB cresceu 0,5% entre janeiro e março, o que mostra uma perde de ritmo em relação aos meses anteriores (1,1% no 4º trimestre de 2018 e 1,3% no 3º trimestre de 2018).

PIB segue no patamar de 2012
De acordo com a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio, o resultado mantém a economia brasileira em patamar semelhante ao que se encontrava no 1º semestre de 2012. “Em relação ao pico, o ponto mais alto do PIB, atingido no primeiro trimestre de 2014, estamos 5,3% [abaixo]”, destacou.

Segundo ela, a perda de fôlego da economia fica mais evidente quando se analisa a taxa acumulada nos últimos quatro trimestres em relação ao mesmo período do ano anterior. Nessa base de comparação, a alta foi de 0,9% no 1º trimestre, abaixo do avanço de 1,1% no 4º trimestre de 2018 e de 1,4% no 3º trimestre de 2018.

Consumo das famílias impede uma queda maior
O resultado só não foi pior porque o consumo das famílias, que representa 64,3% do PIB total, cresceu 0,3% no 1º trimestre, a 9ª alta seguida. "Se não fosse o consumo das famílias, o resultado poderia ter sido um pouco pior", destacou Claudia Dionísio.

Embora no campo positivo, o consumo das famílias também perdeu fôlego, após avanço de 0,5% no 4º trimestre e 0,6% no 3º trimestre, pressionado por fatores como inflação mais alta, aumento do desemprego e piora da confiança dos consumidores.

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Do lado da oferta, a principal contribuição positiva veio do setor de serviços, que manteve o ritmo de crescimento registrado no trimestre anterior (0,2%). Apesar da alta, os segmentos de comércio (-0,1%) e transporte, armazenagem e correio (-0,6%) registraram a segunda queda seguida.

Veja os principais destaques do PIB no 1º trimestre:

Serviços: 0,2%
Indústria: -0,7% (pior resultado desde o 4º tri de 2016, quando recuou -1,8%)
Indústria extrativa: -6,3%
Agropecuária: -0,5% (pior resultado desde o 3º tri de 2017, quando ficou em -2,2%)
Consumo das famílias: 0,3% (pior desde o 2º tri de 2018, quando ficou em 0%)
Consumo do governo: 0,4%
Investimentos: -1,7%
Construção civil: -2%
Exportação: -1,9% (pior resultado desde o 2º tri de 2018, quando recuou 4,4%)
Importação: 0,5%

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