02/03/2019 às 01:06h
Aluno indígena passa em 1º lugar no vestibular de Medicina
Da assessoria

O jovem indígena Dyakalo Foratu Matipu, 34, sempre teve o sonho de trabalhar com a área da saúde para ajudar a sua aldeia. Ele começou a realizar esse sonho em 2016, quando foi aprovado para fazer o curso técnico de Enfermagem, na Escola Técnica de Barra do Garças na Unidade Remota (UR), em Canarana (823 km a leste de Cuiabá). Ele passou no vestibular para Medicina

 

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Farato, como prefere ser chamado, é da etnia Matipu na região do Alto Xingu. Ele conta que os seus dois avôs eram pajés e seu pai é o Cacique da aldeia. “Desde pequeno fui orientado pelo meu pai a cuidar do meu povo. Quando os agentes de saúde chegavam à aldeia eu pedia para ajudá-los, porque sempre gostei dessa área. Aos poucos consegui a confiança deles e fui aprendendo a lidar com os medicamentos, fazendo os curativos e tratando dos doentes”.

 

Matipu conta que quando começou o curso técnico em Enfermagem havia 39 estudantes e, dentre eles, três eram indígenas, e que foi difícil se adaptar à outra cultura. “Quando cheguei à escola, foi um baque. Não entendia muita coisa que os professores falavam. Alguns termos eu anotava na aula e depois pesquisava em casa. Porque se você quer aprender, tem de correr atrás”.

 

O jovem indígena explica que dos 39 alunos do curso técnico em enfermagem, somente 14 conseguiram se formar no dia 8 de dezembro do ano passado. Ele e mais um indígena da Etnia Kamayura. Farato relata que durante os dois anos que estudou Enfermagem chegou a passar muitas necessidades, às vezes não tinha nem o que comer, só bebia água para enganar o estômago. “Abandonar o curso era a saída mais fácil que existia. Mas, mesmo perante os obstáculos não desisti. Porque o meu amor pela área da saúde é muito mais forte”.

 

A diretora da Escola Técnica de Barra do Garças, Kenia Diniz, conta que Farato era muito esforçado e sempre dizia que iria finalizar o curso e que depois tentaria uma vaga para Medicina. “Sei o quanto ele se esforçou para chegar até aqui. Agora ele é um técnico em enfermagem e poderá ajudar sua aldeia muito mais com o conhecimento adquirido”.

 

Para os colegas do curso, a troca de experiências também foi muito importante. “Trouxe meu conhecimento indígena, meus hábitos alimentares, em contrapartida, me ajudaram a aprender a cultura deles. Acho que essa troca é muito enriquecedora para todos nós. Se você conhece uma cultura, você aprende a respeitá-la”, afirma Farato, exaltando o orgulho por sua origem.

 

Na semana passada um grande sonho do jovem indígena se realizou: ele passou no vestibular para Medicina. Desde que foi aprovado em primeiro lugar no curso da Universidade Brasil, a vida tem sido de muita comemoração. Festas com os amigos, com a aldeia indígena e até algumas entrevistas para a imprensa regional animaram o jovem indígena.

 

Matipu destaca que está muito ansioso para começar a faculdade, já enviou os documentos para matrícula e já faz planos para a mudança, pois a faculdade fica em Fernandópolis, Estado de São Paulo. “Penso que daqui a nove anos devo retornar para minha aldeia, para retribuir a confiança que meu povo me deu. Afinal quero trabalhar em prol da minha aldeia, porque precisamos de profissionais da área da saúde”.

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