22/12/2018 às 09:52h
Melhor jogadora do mundo revela que Roberto Carlos foi seu 'amuleto' e chama piada machista na Bola de Ouro de estúpida

Primeira mulher a receber um prêmio Bola de Ouro da revista France Football, ao lado de Kylian Mbappé e Luka Modric,Ada Hegerberg escreveu seu relato em “The Players Tribune” sobre a noite, com o título de "Não estou aqui para dançar".

No relato, ela contextualiza que sua família toda veio do futebol e que sua irmã, Andrine Hergerberg, jogadora do PSG, iniciou a carreira jogando e comandando um time de garotos: “Minha irmã não apenas jogava com os garotos. Ela era capitã do time. E a técnica? Era minha mãe. (...) Ninguém nunca disse nada sobre minha irmã ser capitã ou minha mãe ser técnica. Não era futebol masculino ou feminino. Era apenas futebol”.

Campeã da UEFA Women’s Champions League e artilheira do Lyon, ela também afirmou não querer ser jogadora de futebol quando criança, até de fato, jogar e se apaixonar. Ela dizia que queria ter um “trabalho de verdade” e hoje, seu trabalho é o futebol.

Por isso, ela encoraja garotas dizendo: “A única coisa que eu gostaria de dizer caso alguma garota esteja lendo isso: você não pode perder seu fogo. Você não pode deixar que ninguém tire essa chama de você. Se você tem grandes sonhos, o fogo será a única coisa que te fará chegar lá”.

Na cerimônia, o que chamou a atenção nas redes sociais além da premiação foi o fato de que o apresentador, DJ Martin Solveig, quando chamou a jogadora ao palco, perguntou se ela sabia “rebolar”. Em entrevista, ela havia dito não ter se importado. E reforçou no relato que, mesmo que tenha ficado noites e noites sem dormir à espera da premiação, não deixaria que tal piada arruinasse o seu momento. “Quando subi ao palco pegar meu prêmio, tudo estava calmo. Tudo estava aquecido. Tudo estava perfeito. Olhei para a multidão e vi muitos jogadores incríveis. O jogo feminino e masculino estava lado a lado. Eu não deixaria o momento ser arruinado por uma piada estúpida de um apresentador. Isso não arruinou meu momento. E isso não será arruinado em minha memória”.

O momento de Ada é compensador porque, para ela, homens e mulheres treinam da mesma forma, passam pelos mesmos sacrifícios e a igualdade deveria ser óbvia. Ela cita o exemplo de seu clube, Lyon, e diz que mais pessoas deviam ter o mesmo pensamento de Jean-Michel Aulas, dono e presidente do time.

Um dos times femininos mais fortes do mundo, 7 das 15 indicadas ao prêmio eram do Lyon e ela cita o motivo: “Os jogadores são tratados como nossos colegas. É muito simples. Não devia ser assim em todo lugar? Todas as mulheres merecem a mesma oportunidade de desenvolvimento” e completa, pedindo atenção das federações de futebol.

“Federações, estão ouvindo? Nós podemos fazer melhor. Quando você tem um investimento a nível mundial, você obtém resultados de nível mundial. E é por isso que o prêmio do Bola de Ouro 2018 foi muito maior do que eu. Não era meu momento. Era nosso momento” – disse, referindo-se ao crescimento do futebol feminino.

Mas, quando Ada citou que havia jogadores incríveis na multidão, ela destacou Roberto Carlos, ex-seleção brasileira, como seu “amuleto”. Ela conta que assim que voltou ao seu lugar na cerimônia, sentiu alguém bater na parte de trás da cadeira, ouviu chamar seu nome e era ele chamando-a.

“Ele deu um grande sorriso. Ele disse ‘Ada, sou eu novamente!’. Quando venci de melhor jogadora da UEFA Women’s Champions League em 2016, Roberto estava sentado atrás de mim naquela noite também. Então nós conversamos em uma mistura de inglês, espanhol, português e gestos de mão e nos tornamos amigos. Ele tem muito respeito pelo jogo feminino e é muito divertido. Assim que o vi novamente e conversamos, meus ombros caíram e eu relaxei”.

Para finalizar, a artilheira do Lyon afirmou que, aquela noite, sentiu-se rodeada de amor e respeito. “Eu estava rodeada de jogadores de futebol. Lendas. Pessoas que entendem o sacrifício. Eu não conseguia parar de sorrir”.

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