24/07/2012 às 08:52h
Cobertura do Palestra acaba com farra de vizinhos que viam jogos de graça

 

Não dá para agradar a todo mundo. O ditado é antigo, mas não perde a validade. Pelo menos para alguns torcedores do Palmeiras que não estão tão satisfeitos com a reforma do Palestra Itália. Embora conscientes da importância da nova arena e do que ela irá representar para o clube, eles foram diretamente afetados pelas mudanças. Moradores de um prédio com vista privilegiada para o estádio, eles não poderão mais assistir aos jogos em seu “camarote” particular: o terraço do edifício.

Famílias inteiras estavam acostumadas a se reunir no terraço toda quarta e domingo. Cerveja e churrasco eram companhias obrigatórias. Agora, após a reforma, a visão ficará encoberta pela arquibancada. Antonio Carlos, 58, que já foi conselheiro do clube, lamenta ter perdido sua “cativa”. O lugar era tão privilegiado que ele jura que até o árbitro podia ouvir suas reclamações.

— Aqui enchia. Dávamos cada festa. Muitas vezes deixei de ir ao estádio para ficar aqui. Vinha família, primo, sobrinho. Para nós era melhor como estava. Perdemos nosso camarote. É bem perto. O pessoal da arquibancada visitante ouvia a gente. Gritávamos com vontade. Um dia eu gritei com o juiz e ele até olhou para mim. Não vai ter mais chance agora.



O palmeirense Gabriel D’Amico Neto, 60, também ficou órfão. Ele não hesita em dizer que preferia que a reforma jamais tivesse acontecido. Para ele, o conforto, a segurança e a visão total do campo que eles tinham deixarão saudades.

— Acabaram com a nossa alegria. Vimos o título paulista de 2008 daqui de cima. Em casa nem dava para ver televisão de tanto barulho quando o Palmeiras jogava. 

A coisa era organizada. Somente parentes e amigos de confiança tinham acesso ao santuário. Cada um tinha lugar certo para ficar, uma superstição de torcedor. Quando apareciam alguns entusiastas de outros times, o que era raro, a coisa esquentava, mas sempre na paz. O problema era quando as provocações aconteciam com o pessoal que estava na rua, como conta Antonio.

— Uma vez um ônibus da torcida da Portuguesa parou aqui na frente e tentou invadir o prédio. Mas a polícia não deixou. Em dia de jogo, sempre tem muito policiamento. Outra coisa que acontecia era que torcedores sem ingresso viviam interfonando, pedindo para ver o jogo daqui. É claro que a gente não deixava entrar.

Por mais incrível que possa parecer, assistir a uma partida do edifício é uma experiência praticamente idêntica a estar na arquibancada. De acordo com Eliane Moledo Perreto, mulher de Antonio Carlos, o prédio balança quando os torcedores pulam. No começo, ela confessa que se assustava, principalmente por conta do filho Henrique, hoje com 13 anos, que também via os jogos do terraço com o auxílio de um banquinho.

— Logo que mudamos para cá, durante um jogo o prédio começou a balançar tanto que eu peguei meu filho no colo e corri para o meio da rua. Fiquei lá até acabar o jogo. Depois acostuma. Não é bom, mas acostuma. 

Luiz Giannoni, 38, muitas vezes se empolgava tanto ao ver a festa da torcida que abandonava os amigos no terraço e ia para dentro do estádio. Sua filha Cecília, de apenas um ano e meio e devidamente uniformizada para receber a reportagem do R7, não vai chegar a ter a honra de ver uma partida do espaço privilegiado.
 

— A Cecília chegou a ir ao último jogo do Palestra Itália, contra o Boca, ainda na barriga da mãe. Era um privilégio ver jogo aqui com os amigos, mas a reforma é necessária. Agora, pretendo entrar no programa de sócio torcedor. 

O sonho da turma é ter um zelador palmeirense. O antigo era corintiano e costumava subir ao terraço para tirar sarro dos palmeirenses quando o time perdia. O atual é santista. Se não podem mais ver os jogos, a vontade é que pelo menos o prédio todo seja alviverde. Como diz o bem-humorado Giannoni, “devia ser pré-requisito ser palmeirense”. 

A Arena Palestra é fruto de uma parceria do clube com o Grupo WTORRE, e contempla um investimento de cerca de R$ 330 milhões. A previsão é de que o estádio, que terá capacidade para 45 mil espectadores, fique pronto no final de 2013.

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