09/01/2019 às 11:03h
Sonda da Nasa descobre mais um planeta fora do Sistema Solar
© NASA

O estudo dos exoplanetas é um dos campos mais promissores da astrofísica contemporânea. Menos de três décadas se passaram desde a confirmação do primeiro mundo ao redor de outra estrela que não o Sol, em 1992, e de lá para cá o catálogo de planetas conhecidos já ultrapassa os 3,8 mil. A expectativa para os próximos anos, com a entrada de supertelescópios em operação, é de que esses exoplanetas ganhem vida, deixando de ser números vazios para se tornarem mundos complexos, conforme suas características físicas forem sendo reveladas.

E a sonda TESS, lançada em abril do ano passado, desempenha um papel fundamental na revolução que está por vir. É considerada sucessora do Kepler, telescópio espacial aposentado pela Nasa em outubro de 2018 após quase uma década na ativa. Foi uma missão extremamente produtiva: o Kepler sozinho descobriu mais de 2,3 mil exoplanetas. O número pode dobrar se todos os candidatos forem confirmados. A TESS foi lá e dobrou a meta, desafiando-se a catalogar 10 mil novos mundos extrassolares — em dois anos.

A importância de revelar em massa esses corpos celestes, muitos dos quais parecidos com a Terra e outros planetas do Sistema Solar, é que assim a comunidade astronômica pode realizar observações complementares, refinar modelos teóricos de formação dos planetas e da mecânica de sistemas solares. Mas a grande beneficiada será a ciência planetária: conforme formos adentrando a década de 2020, parâmetros detalhados da atmosfera e da superfície poderão ser revelados por telescópios gigantes como o James Webb e o ELT.

A prova de que a missão TESS está de fato entregando o que promete acaba de ser divulgada pela Nasa, com o anúncio do terceiro planeta confirmado pela sonda. Chamado de HD 21749b, ele tem três vezes o tamanho da Terra e 23 vezes sua massa, completando a cada 36 dias uma órbita em torno de sua estrela, localizada a 53 anos-luz da Terra, na constelação do Retículo. A temperatura em sua superfície é de 150 graus Celsius.

“Esse planeta possui uma densidade maior que a de Netuno, mas não é rochoso. Pode ser um planeta de água ou ter outro tipo de atmosfera substancial”, afirmou Diana Dragomir, pesquisadora do MIT e uma das líderes do projeto.

Os outros dois planetas confirmados pela TESS até agora foram o Pi Mensae c, que tem o dobro do tamanho da Terra e orbita a cada seis dias uma estrela a 60 anos-luz de nós, e LHS 3884b, planeta rochoso com 1,3 vezes o tamanho da Terra, período orbital de 11 horas e distância de 49 anos-luz. Está tão perto de sua estrela-mãe que os cientistas suspeitam haver piscinas de lava derretida na superfície do lado onde é sempre dia.

Tamanha riqueza científica foi revelada a partir dos dados coletados logo nos três primeiros meses da missão, que começou em julho de 2018. A TESS passa um mês monitorando atentamente com suas quatro câmeras um único pedaço do céu, obtendo milhões e milhões de imagens à procura de pequenas variações nas estrelas, indicando que, possivelmente, algum planeta tenha passado por ali e ocultado temporariamente parte de seu brilho. De lambuja, astrônomos do mundo todo também encontram documentados fenômenos transitórios, como cometas, asteroides e eventos estelares como supernovas.

No primeiro setor estudado entre julho e agosto do ano passado, seis supernovas foram detectadas em galáxias distantes. O Kepler levou quatro anos para atingir a marca. Só os dois primeiros lotes de observações da TESS foram liberados para análise da comunidade científica até agora. “Estamos na metade do primeiro ano de operação e as barragens de dados estão apenas começando a se abrir”, declarou George Ricker, cientista-chefe da missão. Após dois anos, o conjunto completo de dados que terá escrutinado todo o céu vai revelar mais de 300 milhões de estrelas e galáxias, milhares de exoplanetas e também centenas de supernovas e fenômenos extragalácticos. Um verdadeiro tesouro astronômico

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