28/11/2018 às 06:01h
PAGAMENTO ATRASADO Empresas suspendem alimentação nos presídios; Estado repassa R$ 8 milhões

Dono de empresa afirma que "perdeu crédito" junto aos seus fornecedores

 
Da Redação

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Servidores e detentos de mais de 10 unidades prisionais de Mato Grosso não receberam o café da manhã nesta quarta-feira (28). Algumas das empresas que fornecem a alimentação às unidades decidiram não fornecer a refeição nesta quarta em protesto ao atraso de pagamento referente à prestação do serviço nos últimos cinco meses, para algumas, e seis meses para outras.

De acordo com um dos empresários, que preferiu ter seu nome reservado, não se trata de uma “greve” ou “rebelião” das empresas contra o Estado, mas uma questão de não terem mais condições financeiras de manter a prestação do serviço sem o pagamento. “Não estamos fazendo greve. Estamos sem dinheiro para pagar nossos fornecedores e não temos como continuar prestando os serviços. Também temos os empréstimos bancários tomados pela empresa para continuar a prestar os serviços”, explicou o empresário.

O empresário também afirmou que, apesar da inadimplência por parte do Estado, a empresa não efetuou o desligamento de nenhum funcionário. Isso porque, primeiramente, a demissão resultaria em atraso no fornecimento das refeições, o que não é permitido pelas regras contratuais.

Além disso, o empresário também explicou que seu empreendimento, mesmo que quisesse realizar demissões, não possui recursos para pagar a folha salarial, acerto de contas e direitos trabalhistas. Sobre isso, ele ainda explicou que a empresa não conseguiu, até o momento, efetuar o pagamento da 1ª parcela do 13º, que vence em 30 de novembro.

“O que nós estamos exigindo é o pagamento do que está em atraso para que nós possamos cumprir os contratos. Estamos devendo mercados, o transporte da alimentação, o fornecimento de verduras e legumes à agricultura familiar”, alegou.

Sobre o fornecimento do café da manhã, o representante da empresa afirmou que não foi possível fazer o fornecimento porque as panificadoras do Estado se uniram e decidiram parar o fornecimento de pães e leites às empresas, devido ao atraso no pagamento.

Por fim, o empresário explicou que nos últimos anos, o Governo só tem encontrado alguma solução para o atraso do pagamento quando as empresas decidem paralisar os serviços.

SEJUDH

Em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), a reportagem foi informada de que apenas três unidades em todo o Estado ficaram sem o café da manhã nesta quarta. São elas: a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá; a Penitenciária Major PM Zuzi Alves da Silva, em Água Boa (746,8 km de Cuiabá); e a Cadeia Pública de Várzea Grande.

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, nesta quarta-feira, a Sejudh irá repassar às empresas o montante de R$ 8,1 milhões. O valor não é o suficiente para quitar todos os meses em atraso com as empresas, mas apenas “desafogar” as dificuldades enfrentadas pelas fornecedoras de refeição. A assessoria da Sejudh também informou que não há qualquer cronograma de realização dos pagamentos em atraso, uma vez que a pasta só quita suas dívidas quando a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) autoriza o pagamento e repassa os valores.

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