21/10/2018 às 08:18h
O segundo turno presidencial do Brasil em seis perguntas
Montagem dos candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (E) e Fernando Haddah (D)© Fornecido por AFP Montagem dos candidatos à Presidência da República Jair Bolsonaro (E) e Fernando Haddah (D)

O segundo turno da eleição presidencial do Brasil acontecerá no domingo 28 de outubro em um contexto de crise política, econômica, social e moral.

A seguir, seis perguntas que resumem os principais temas da disputa entre o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro e o esquerdista Fernando Haddad:

O candidato de extrema-direita será eleito?

As pesquisas mais recentes do Ibope e Datafolha apontam uma vitória tranquila do deputado do Partido Social Liberal (PSL) Jair Bolsonaro, com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT).

O PSL, insignificante antes do primeiro turno de 7 de outubro, pode se tornar o maior partido na Câmara dos Deputados no próximo ano graças à onda Bolsonaro.

Se vencer, será a primeira vez que o Brasil escolherá um presidente de extrema-direita, admirador da ditadura militar (1964-1985).

O PT de Lula pode voltar ao poder?

Parece extremamente improvável que o PT vença a quinta eleição presidencial consecutiva. A não ser que aconteça uma mudança repentino na última semana de uma campanha marcada por sobressaltos.

Após a invalidação da candidatura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, preso por corrupção, seu substituto, Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, conseguiu passar ao segundo turno, apesar de ter feito menos de um mês de campanha. Mas agora tem uma desvantagem de 19 pontos nas pesquisas e um índice de rejeição elevado.

Por que esta campanha é inédita?

Lula, que era o favorito com quase 40% das intenções de voto apesar de estar preso, foi finalmente excluído da corrida eleitoral no dia 1º de setembro, após meses de idas e voltas político-judiciais.

A incerteza sobre sua candidatura tornou a disputa a mais incerta na história recente do Brasil.

Bolsonaro, por sua vez, que se tornou o favorito, foi esfaqueado em um comício no dia 6 de setembro. Ficou hospitalizado por três semanas e não fez mais campanha nas ruas.

Qual o impacto das redes sociais na eleição?

Enorme. As informações falsas dominaram as redes sociais. Bolsonaro fez a maior parte de sua campanha no Facebook, Instagram e Twitter, onde tem mais de 14 milhões de seguidores.

Se negou a participar dos debates que estavam previstos para o segundo turno, alegando razões médicas após o ataque, mas também razões "estratégicas".

O PT denunciou Bolsonaro à justiça eleitoral, alegando que o adversário montou uma “organização criminal” com “dinheiro sujo” para transmitir milhares de mensagens com informações falsas no Whatsapp, que tem 120 milhões de usuários no Brasil.

O partido de Haddad pediu a cassação de Bolsonaro ao Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), que deve se pronunciar depois da eleição. No momento apenas abriu uma investigação.

Como os mercados vão reagir?

A vitória de Bolsonaro é esperada, apesar do candidato ter confessado que pouco entende de Economia.

Bolsonaro já nomeou um "super ministro da Fazenda", Paulo Guedes, um economista ultraliberal, o que tranquiliza os investidores.

Os mercados estão na expectativa da rápida implementação de uma série de reformas. Mas devem esperar até que Bolsonaro mostre seu compromisso com a reforma da Previdência – considerada crucial - ou com a reforma tributária, sobre as quais não expressou uma postura clara.

Também apostam em um plano de privatizações.

Os investidores não querem o retorno da esquerda com uma vitória de Haddad, pois alegam que o candidato não se comprometeu com reformas para sanear as contas públicas.

Quais são os maiores desafios do próximo presidente?

A recuperação da economia, após dois anos de recessão (2015 e 2016) e outros dois de fraco crescimento, em um país com quase 13 milhões de desempregados. Também terá que lidar com a escalada de violência - o país bateu recorde de homicídios em 2017, com 63.800 casos. Saúde, educação e habitação também estão entre as grandes preocupações dos brasileiros

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