20/10/2018 às 10:25h
Justiça determina nova prisão do cabo Gerson por descumprir cautelares
APÓS IDA NA BALADA
Karine Miranda

Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Atualizada às 19h - O juiz Wladymir Perri,  da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, acatou o pedido do Ministério Público do Estado (MPE) e determinou, nesta sexta-feira (19), a nova prisão do cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Corrêa Júnior, réu na ação penal que investiga a existência de grampos ilegais operados pela PM em Mato Grosso. O esquema ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira.

 

A prisão foi determinada em razão da confissão do militar, de que teria descumprindo medida cautelar imposta pela Justiça como condição para sua liberdade, de permanecer em sua residência durante período noturno e ter frequentado uma casa noturna em Cuiabá no último mês de agosto.

 

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Gerson teve a prisão preventiva revogada após 10 meses de detenção, sob a condição de que não poderia se ausentar de sua casa no período noturno, entre outras medidas cautelares impostas pelo Tribunal de Justiça. No entanto, de acordo com o MPE, o réu esteve no Malcom Pub entre 1h49 e 2h52 do último dia 30 de agosto e, quando o caso veio à tona, inventou diversas provas de modo a conseguir se defender e evitar a nova prisão.

 

Em um primeiro momento, o réu negou a ida até a casa noturna, mas voltou atrás e depois confessou ter saído de casa. Ele disse que foi buscar a esposa que havia ido até o local após um desentendimento entre o casal. “Ele foi capaz de forjar novas provas e arquitetar uma trama de mentiras, a fim de esquivar-se de eventual responsabilização pelo descumprimento das medidas”, argumentou o MPE ao pedir nova prisão.

 

Ainda segundo o MPE, restou “clarividente” a intenção em descumprir as medidas cautelares e a lei, uma vez que o militar já teve comportamento semelhante. Ele militar foi acusado de ter saído da sede do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), na época em que cumpria prisão preventiva, para ir a boate de shows eróticos em Cuiabá.

 

Ao analisar o pedido do MPE, o juiz Wladymir Perri afirmou que o cabo Gerson não merece credibilidade, uma vez que ludibriou o próprio advogado, já que inicialmente apresentou a primeira defesa cheia de tramas e mentiras. “Quero acreditar que o douto causídico agiu em sua peça inicial de boa-fé, de modo que, se o próprio advogado foi ludibriado, ao ponto de posteriormente ter que justificar em nome do princípio da verdade real, esse cidadão não merece qualquer credibilidade”.

 

Ainda segundo o juiz, se o militar foi capaz de enganar até seu próprio advogado, representa um risco à sociedade. “Se pode concluir que tem uma personalidade distorcida, o que oferece sérios riscos à sociedade, e principalmente para apuração dos fatos, o que, por si só, já justificaria a decretação da prisão preventiva, desta feita, para garantia da ordem pública, até porque a sua participação na apuração ao fato delituoso, tudo está levando a crer ser intensa”, disse o magistrado.

 

O magistrado afirmou ainda que o próprio militar reconheceu o descumprimento da medida cautelar, o que demonstra que ele não tem respeito pela decisão do Tribunal de Justiça. “Foi essa instância que lhe concedeu a liberdade e mesmo assim sob o pretexto de uma briga conjugal, resolve curtir a noite cuiabana, como se a situação do referido representado fosse uma situação corriqueira, o que não podemos aceitar com essa inversão de valores, ou seja como o réu tivesse só direitos”.

 

Por essas razões, o juiz Wladymir Perri determinou a nova prisão do militar. De acordo com o advogado do cabo, Neyman Monteiro, a audiência de custódia e a prisão devem ocorrer somente neste sábado (20).

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