20/10/2018 às 10:19h
Delator afirma ter recebido R$ 1 milhão de Eraí para 'caixa 2' de Taques e lembra denúncias de fraudes
Weliton Sabino-GD

No rol de empresários e políticos citados pelo empresário Alan Malouf em sua delação premiada, acusados de envolvimento em transações financeiras e até esquemas para saldar dívidas de campanha de 2014 do governador Pedro Taques (PSDB), está o produtor agropecuário, Eraí Maggi (PP). Naquele pleito, Eraí foi um dos maiores financiadores da campanha de Taques, e sozinho doou cerca R$ 1 milhão ao então candidato do PDT ao governo do Estado.

 

Conforme Malouf, os ditos “simpatizantes” e neste grupo, segundo ele, estava Eraí Maggi, nunca assinaram ou ordenaram despesas de modo formal, ficando tais funções a cargo de Orlando Pivetta e Júlio Modesto, que também não ficou responsável pelos pagamentos formais, muito embora funcionasse com o departamento financeiro.

 Na delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e agora derrubado o sigilo, Malouf afirma ter recebido de Eraí Maggi a quantia de R$ 1 milhão por determinação do governador Pedro Taques, para quitar parte dos valores emprestados por ele no financiamento da campanha de Paulo Brustolin. O evento ocorreu em abril de 2016, conforme consta no documento.

 

“Esse valor foi pago em espécie e serviu para abater o débito de parte do empresário que o governador tem com o peticionante [Alan Malouf]”. O disse acreditar que tal valor “foi retirado por Eraí Maggi de seus próprios recursos, efetuando empréstimo ao governador Pedro Taques”.

 

Conforme Malouf, o “Rei da Soja”, apelido como Eraí Maggi é conhecido, passou a compor em meados de junho de 2014, um grupo formado por empresários e produtores com intuito de ajudar na campanha política mediante captação de possíveis doadores de recursos. A função de Eraí no Grupo, coforme afirma o delator, era de atuar junto ao segmento do agronegócio.

No total, o grupo era composto por 6 pessoas que segundo Malouf, “nunca ordenaram despesas e não assinaram cheques da campanha”.

 

Na delação, inclusive, foram anexadas cópias de matérias jornalísticas publicadas na imprensa relatando que Eraí Maggi estava entre os maiores doadores da campanha de Taques investigados pela CPI da Renúncia e Sonegação no Estado instalada na Assembleia Legislativa. Nesse contexto, o Eraí é colocado como um dos “suspeitos de montar sofisticados esquemas para sonegar valores astronômicos devidos aos cofres públicos.

 

Em uma das matérias juntadas à delação consta que quase R$ 5 milhões foi o valor que Pedro Taques recebeu de em doações de campanha do mega-empresário Eraí Maggi, de familiares seus, além de sócios e prepostos. A publicação ressalta que Eraí Maggi, dono do Grupo Bom Futuro e e tido como uma das lideranças do agronegócio no Estado estava sob suspeita de “engedrar sofisticado esquema para sonegar tributos estaduais e federais, além de driblar as leis trabalhistas e estabelecer concorrência desleal em prejuízo ao setor produtivo de Mato Grosso.

 

Para isso, consta na publicação, “o Rei da Soja teria utilizado laranjas ou testas de ferro para constituição de uma certa Cooperativa Agroindustrial (Cooamat), a qual era comandada por ele através de prepostos”. Em 2014, uma CPI instalada na Assembleia Legislativa investigou a Cooamat que foi denunciada sob suspeita de fraude de R$ 300 milhões.

 

Na época, o pedido de investigação partiu do então deputado estadual José Riva. Ele chegou a denunciar a cooperativa à Polícia Federal por suspeita de fraudes e simulação de transações comerciais.

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