23/05/2018 às 04:55h
Mortes por imprudência no trânsito têm aumento de 21% em Cuiabá

Matheus Mendes, repórter Sesp/MT


A combinação perigosa de álcool e abuso da velocidade, imprudência comum entre os motoristas, resultou no crescimento de 21,43% de mortes no trânsito em Cuiabá. Dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceac) de Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) registram 34 mortes nos 4 primeiros meses deste ano. No mesmo período do ano passado, 28 pessoas perderam a vida no trânsito.

Divulgação/PJC-MT

Contudo, as ocorrências de lesão corporal culposa diminuíram 15,28%, de 733 para 621. Na cidade vizinha, Várzea Grande, as mesmas ocorrências caíram de 203 para 189, o que representa queda de 6,9%. Já o índice de morte permaneceu o mesmo nos dois anos. Dezesseis pessoas vítimas do trânsito.

Neste mês de maio, somente a avenida Beira Rio, houve três acidentes com mortes. No dia do trabalho, 1º de maio, o soldado do Exército, Marcelo Victor da Silva, estava na garupa de uma moto e morreu após o condutor perder o controle e bater contra um poste.

Quatro dias depois, um catador de latinhas, identificado como Ângelo Pedroso de Lima, trafegava pela avenida quando foi atingido por uma SW4 em alta velocidade. Ângelo morreu no pronto-socorro da capital três dias após o atropelamento. O condutor da caminhonete, de 20 anos, não possuí habilitação e apresentava sinais de embriaguez.

O mais recente, no dia 15, Thienes José dos Santos, perdeu o controle de sua motocicleta, invadiu o canteiro central e morreu depois de bater contra uma placa de sinalização. O acidente ocorreu próximo ao Parque de Exposições Jonas Pinheiro.

Para o titular da Delegacia de Delitos de Trânsito, Christian Cabral, todos os acidentes tiveram relação com a imprudência. “Não podemos considerar a via perigosa ou mal estruturada, mas sim que os condutores aumentam a sua imprudência seja porque abusam da velocidade ou quando estão dirigindo sob efeito de álcool ou droga”, disse.

Gazeta Digital

O delegado ainda alerta que, apesar das mudanças que tornaram as penas mais duras para quem infringe as leis de trânsito, a violência se manteve no mesmo patamar e segundo ele, o número de pessoas mortas em acidentes de trânsito tende a ser maior que no ano anterior.

“Isso tudo nos leva a refletir, os condutores continuam agindo às margens da lei porque ela infelizmente carece de efetividade e eficácia. As pessoas sabem que o risco de serem paradas em uma ação fiscalização por não respeitarem regra de trânsito é mínimo. E se foram paradas, o risco de responder um processo ou serem penalizadas é menor ainda”, explicou.

Christian ressalta que hábitos e culturas precisam ser mudados. “Temos que começar a mudar o nosso conceito. Não basta ter leis com penas e multas altas, temos que ter leis que sejam cumpridas por todos para que possam ter eficácia e permitir que comportamentos e culturas sejam mudados”, finalizou.

Maio Amarelo

O movimento tem objetivo de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. Este ano, o Detran está estimulando as instituições a levarem o debate do tema mais a fundo, viabilizando a reflexão sobre a conduta dos motoristas no trânsito do Estado.

O Departamento realizou no início deste mês um passeio ciclístico pela paz, no qual reuniu 680 pessoas. No dia 09, foi a vez do dia “D” da Educação no Trânsito, o evento foi concentrado na Praça 8 de Abril, no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Quem passava pelo local pode tirar dúvidas e receber informações sobre o Movimento Maio Amarelo. Além da capital, municípios do interior do estado também recebem as atividades.

Para o presidente do Detran, Thiago França, apenas estas ações não são suficientes se cada cidadão não fizer a sua parte. “Não basta só a segurança pública fazer a parte dela. Cada pessoa tem que assumir a responsabilidade e ter consciência em relação às leis de trânsito. Esses dados de mortes no trânsito, apesar de não serem bons, servem de alerta para população, para que o nível de conscientização seja elevado e todos nós possamos fazer uma caminhada pela paz no trânsito”, comentou.

Blitz Educativa

Divulgação/PJC-MT

O Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário da Polícia Militar (BPMTran) realiza blitzes educativas em diversos pontos da cidade, com intuito de conscientizar o condutor em relação as leis para um trânsito seguro.

A unidade também tem projetos que visam a educação no trânsito como o “Salvando Vidas”, que realiza palestras em escolas e empresas. Além desse, existe o “Amigo da Rodada”, feito em parceria com Detran.

“Os agentes convidam pessoas que estão nas mesas de bares a fazer o teste do etilômetro e quem não está ingerindo substâncias alcoólicas, é escolhido como condutor do grupo e ainda ganha um brinde”, explicou o comandante do batalhão, tenente-coronel PM Esnaldo de Souza.

Lei Seca

Na última operação Lei Seca, realizada na via no dia 28 de abril, 12 condutores foram presos por conduzir veículo sob efeito de álcool, além da apreensão de 33 automóveis. Em 2017 a ação prendeu 128 pessoas em flagrante em Cuiabá e em Várzea Grande. De janeiro de 2018 ao dia 07 deste mês foram 107 prisões.

A Lei Seca, segundo o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Sesp, Major Rafael Dias Guimarães, ocorre em dias e horários estratégicos. “Nós selecionamos as vias e horários que os fatos estão ocorrendo e em cima disso, é feito um planejamento para a realização da operação”, explicou.

A operação é feita de forma integrada entre Polícia Militar (PM-MT) por meio do Batalhão de Trânsito, Polícia Judiciária Civil (PJC) por meio da Delegacia de Delitos de Trânsito (Deletran), Corpo de Bombeiros, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). 

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