20/04/2018 às 06:20h
Epidemia causada por bactéria que devora carne humana intriga médicos na Austrália


Médicos na Austrália pediram investigação urgente para entender por que uma úlcera causada por uma bactéria comedora de carne humana tem se tornado epidêmica no Estado de Victoria.

Casos de Úlcera de Buruli, uma doença de pele mais comumente encontrada na África, aumentaram 400% nos últimos quatro anos, dizem especialistas.

As infecções também ficaram mais graves e se espalharam para novas áreas.

Os médicos não sabem como prevenir a doença, que é causada por uma bactéria que destrói os tecidos.

O Estado registrou um recorde de 275 novas infecções no ano passado, o que representa um aumento de 51% em relação a 2016.

Não ficou claro por que a úlcera, normalmente encontrada em áreas tropicais, apareceu no clima temperado de Victoria, disse ele.

Em um texto publicado no Medical Journal of Australia, médicos pediram financiamento do governo para pesquisar a doença e suas causas.

"Ninguém entende o que está acontecendo e o que está motivando esta epidemia", disse O'Brien, coautor da publicação, à BBC.

"Podemos oferecer pistas, mas não um parecer definitivo. É um mistério."

Ele disse que algumas teorias envolviam fatores como chuva, tipo de solo e vida selvagem. No ano passado, as autoridades encontraram vestígios da bactéria em fezes de possum, um tipo de marsupial, animal da família dos gambás.

"O problema é que não temos tempo para sentar e pontificar sobre isso - a epidemia atingiu proporções assustadoras", disse ele.

As úlceras são difíceis de tratar e os pacientes muitas vezes experimentam um período de recuperação entre seis e 12 meses. Muitos também precisam se submeter a cirurgia reconstrutiva, acrescentou O'Brien.

No ano passado, quando já alertava sobre o surto da doença, O'Brien explicou à BBC que "a bactéria lentamente devora a pele e o tecido até ser tratada". "Quanto mais tempo você deixa, pior fica. É uma infecção progressiva e destrutiva.", diz.

As autoridades de saúde de Victoria dizem ter gasto mais de 1 milhão de dólares australianos (o que corresponde a mais de R$ 2,6 milhões) em pesquisas sobre a doença, e que iniciaram campanhas educativas para aumentar a conscientização sobre o assunto.

Até alguns anos atrás, infecções eram mais comumente relatadas em áreas tropicais em Queensland, com casos ocasionais em outros Estados.

A doença é mais frequente na zona rural da África Ocidental, África Central, Nova Guiné, América Latina e regiões tropicais da Ásia.

Em países em desenvolvimento, ela está associada a áreas úmidas e água parada, no entanto, na Austrália, os casos foram amplamente reportados em regiões costeiras.

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