28/03/2018 às 10:55h
Não precisa mais, ele faleceu hoje cedo, diz pai de bebê sem UTI - Veja documento
PEIXOTO DE AZEVEDO

Pablo Rodrigo, repórter do GD


Otmar de Oliveira

Falta de UTI resultou na morte de recém-nascido em Peixoto de Azevedo

A morte de um recém-nascido por falta de uma UTI Neonatal no município de Peixoto de Azevedo (691 Km ao norte de Cuiabá), revoltou o promotor de Justiça, Marcelo Mantovani Beato, que por meio de um ofício, comunicou o falecimento em forma de "desabafo".

"Porque enquanto redigia este mesmo ofício pedindo a atuação extrajudicial de vossa excelência, recebi um comunicado curto, mas igualmente desconcertante, com os seguintes dizeres: "Não precisa mais, ele faleceu hoje de manhã", diz trecho do ofício encaminhado ao procurador de Justiça da Procuradoria Especializada em Defesa da Criança e Adolescência, Paulo Prado.

O promotor explica que a mensagem que recebeu era do pai da criança, que nasceu na última segunda-feira (26) com dificuldade respiratória e que precisava com urgência de um leito de UTI Neonatal.

De acordo com o promotor, "a ventilação da criança, já intubada, vinha sendo feita manualmente por toda equipe médica, na medida em que o Hospital Regional de Peixoto de Azevedo/MT não dispunha de ventilador automático", diz outro trecho do ofício que o Gazeta Digital teve acesso.

Ele ainda explicou que, mesmo com o pedido do Ministério Público e com a autorização da Justiça, a vaga não foi disponibilizada pelo governo do Estado.

"Henry, infelizmente, não pode vivenciar a 'transformação' que esse Estado tanto propaga em suas campanhas publicitárias, abastecidas com milhões de reais oriundos do erário, mas sem recursos para adquirir um respirador automatizado ou providenciar a abertura de novos leitos de UTI Neonatal", desabafa o promotor.

"Um Estado que se orgulha dos números crescentes da economia, das lideranças nos rankings de produção e de tantos outros índices financeiros, porém incapaz, sabe-se por quais motivos, de garantir um mínimo de dignidade no tratamento de saúde das crianças e adolescentes pobres, prescrito pelos próprios representantes do Estado", continua o membro do Ministério Público.

De acordo com ele, a família será orientada a ingressar judicialmente contra o governo do Estado.

Outro lado - A reportagem contatou o governo por meio da assessoria de imprensa e aguarda um posicionamento sobre o caso.

Reprodução/GazetaDigital

 

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