28/03/2018 às 10:41h
Mulher sofre "colamento" da vulva após muito tempo sem relação sexual: é comum?

vagina gineco mulher 0318 400x800© pathdoc/shutterstock vagina gineco mulher 0318 400x800

Um caso peculiar chamou atenção de uma equipe médica no Japão. Uma idosa de 76 anos de idade foi a uma clínica realizar exames para tratar um câncer no esôfago quando os médicos notaram algo estranho: seus pequenos lábios vaginais haviam se fundido, deixando toda a vulva da mulher "tampada". Havia apenas um espaço bastante pequeno para a eliminação da urina.

Lábios vaginais de mulher ficam grudados

O caso foi reportado no periódico Journal of Medical Case Reports. A idosa, segundo explicaram os médicos, não suspeitava do fenômeno e foi encaminhada ao departamento de cirurgia ginecológica quando a equipe identificou, através de uma tomografia, um alto acúmulo na região da vagina.

Chegando ao local, após uma análise visual, os especialistas notaram que os lábios vaginas haviam se fundido, como se estivessem “colados”, e o acúmulo na região observado no exame se tratava de urina não eliminada, já que o pequeno orifício que havia ficado não estava dando conta de eliminar todo o volume.

clitoris externo vagina 18550104© Arte Bolsa de Mulher/BlueRingMedia/Shutterstock clitoris externo vagina 18550104

Conforme a equipe médica descreveu no artigo, a idosa não tinha nenhuma reclamação de dor ou dificuldade para urinar, exceto de que a micção era um pouco demorada. Ela estava na menopausa desde os 40 anos de idade e nunca havia feito um exame de Papanicolau para rastreamento do câncer do colo do útero.

Exames de urina descartaram possíveis infecções, e a paciente relatou ter tido dois partos vaginais e nenhum histórico de trauma importante na genitália ou doença infecciosa, fatores que poderiam levar à fusão dos lábios vaginais.

Eliminadas outras causas, os especialistas creditaram o quadro à "diminuição das atividades na região", principalmente a falta de relação sexual com penetração. Os lábios foram separados em um processo cirúrgico feito sob anestesia e a paciente passa bem.

Fusão labial: como acontece?

ginecologista vagina 217 400x800© Iryna Inshyna/Shutterstock ginecologista vagina 217 400x800

De acordo com o ginecologista Élvio Floresti, a fusão labial está relacionada com a diminuição de estrogênio no corpo, hormônio presente apenas em mulheres que menstruam. Segundo o médico, a falta da substância deixa a paciente mais vulnerável à má-cicatrização da região

Conhecido como hormônio feminino, o estrogênio atua, entre outras funções, no amadurecimento dos órgãos sexuais, dando uma camada de proteção extra aos lábios, fazendo com que eles não se toquem e concedendo elasticidade para a vagina no ato sexual.

Por isso, a aderência dos pequenos lábios vaginais pode acontecer tanto em meninas de até 10 anos de idade, que ainda não estão produzindo o hormônio, quanto em mulheres após a menopausa, que já pararam de fabricá-lo.

É comum?

casal mais velho sexo 117 400x800© bowdenimages/iStock casal mais velho sexo 117 400x800

"A vagina das idosas, em sua grande maioria, fecha, deixando apenas uma abertura para a passagem da urina", explica o ginecologista. Segundo ele, nas idosas a fusão é ainda mais comum porque as relações sexuais, que ajudam a manter os lábios vaginais separados, além de alargar o canal vaginal, se tornam muito dolorosas após a menopausa devido à falta de lubrificação e elasticidade.

"Se ela continua tendo relação sexual, o canal continua intacto, mas, se não há sexo, é possível que um lábio encoste no outro e crie essa aderência", afirma o especialista.

O caso apresentado pelo periódico científico foi bastante agravado por conta da quimioterapia à qual a senhora estava sendo submetida, que torna as mucosas muito mais sensíveis, favorecendo a fusão vaginal.

Tratamento

Segundo Floresti, são raros os tratamentos que exigem procedimento cirúrgico para a separação. Essa conduta é indicado somente quando os lábios estão em um estágio avançado de aderência. Na grande maioria dos casos, como nas crianças, o uso de cremes e géis à base de estrogênio já são suficientes para promover a separação das partes.

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