23/03/2018 às 01:13h
Em vez de bombardear um asteroide a caminho da Terra, poderíamos só jogar tinta nele

© Reprodução

Manchetes recentes trouxeram muita conversa sobre a ideia de bombardear asteroides. Uma equipe de cientistas russos está disparando contra asteroides em miniatura em um laboratório, e supostamente a NASA estaria pensando em um plano que envolveria, hipoteticamente, bombardear o asteroide Bennu caso ele ameace a Terra em 2135.

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A NASA está bolando ideias sobre como seria possível explodir um asteroide a caminho, um plano teórico chamado HAMMER, como noticiamos. Mas os cientistas provavelmente não precisarão usar uma resposta dessas ao asteroide 101955 Bennu, de tamanho comparável ao Empire State Building, que deve passar perto da Terra em 2135. Desviar uma ameaça dessas poderia ser muito mais fácil.

"Só de pintar metade da superfície de uma cor diferente mudaria as propriedades térmicas e sua órbita", diz Michael Moreau, gerente do sistema de dinâmica de voo da OSIRIS-REx, da NASA, em entrevista ao Gizmodo. Isso envolveria literalmente enviar uma espaçonave para, de alguma forma, mudar a cor de parte do asteroide.

Tem muita coisa que a gente ainda não conhece sobre asteroides, motivo pelo qual a NASA enviou a sonda OSIRIS-REx em direção ao Bennu. Essa missão visa pegar amostras da rocha e retornar à Terra em 2023.

Existe uma chance minúscula, em torno de uma em 2.700, de que o Bennu atinja a Terra em 2135, noticia o Washington Post. A rocha não é grande o suficiente para acabar com a humanidade, mas poderia causar danos enormes. A espaçonave OSIRIS-REx vai estudar mais o asteroide, e a NASA continuará a coletar dados para descartar ou aumentar as chances de um impacto.

Mas não precisa se preocupar com o Bennu agora. Se as chances ficarem grandes demais, as leis da física permitirão uma solução muito mais fácil do que explodir o asteroide. Poderíamos simplesmente jogar tinta nele.

O Sol despeja uma enorme quantidade de partículas minúsculas em todo o Sistema Solar, por exemplo. Isso transmite um pouco de pressão. Essas partículas não trazem consequência alguma à nossa órbita, já que a Terra é incrivelmente massiva, mas o Bennu pesa apenas cerca de 13 vezes a massa da Grande Pirâmide de Gizé. Isso é muito leve, comparativamente falando. Considerando os cerca de 120 anos que temos para preparação e a distância que Bennu tem que viajar antes de sua aproximação, se os cientistas puderem tornar parte dele mais suscetível à radiação solar, isso iria levemente alterar o caminho suficientemente para que ele não nos atinja. Isso exigiria fazer com que parte de sua superfície absorvesse mais radiação — por exemplo, cobrindo um dos lados com tinta. Os cientistas primeiro precisam estudar melhor sua órbita ao redor do Sol para determinar o melhor curso de ação.

Tudo isso para dizer que, como sempre, não estamos prestes a ser atingidos pelo asteroide gigante que vemos nas manchetes.

Existem asteroides com que precisamos nos preocupar, é claro. Mas, como informamos anteriormente, não estamos os rastreando. O governo só exigiu que a NASA rastreasse asteroides maiores que um campo de futebol ou algo perto disso. Algo menor poderia passar despercebido e causar danos locais significativos sem os 120 anos de aviso que Bennu nos deu.

A ideia de bombardear asteroides é ótima para uma ficção científica. Mas você deveria passar mais tempo incomodado com o fato de que não sabemos quais asteroides menores possam estar nos ameaçando em vez de se preocupar com aqueles que os cientistas estão acompanhando e que poderiam ser desviados mais facilmente.

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