23/03/2018 às 01:10h
Pesquisadores desvendam mistério de múmia do Chile
© picture-alliance/dpa/Bhattacharya S et al./COLD SPRING HARBOR LABORATORY

Estudo revela que múmia é de menina que nasceu prematura e com várias mutações genéticas. Encontrado no deserto do Atacama em 2003, esqueleto de aparência extraterrestre causou alvoroço internacional.

Pesquisadores revelaram nesta segunda-feira (22/03) detalhes sobre a origem de uma múmia descoberta no Chile que causou alvoroço internacional. Encontrado em 2003, no deserto do Atacama, o esqueleto gerou boatos de que seria extraterrestre. A hipótese foi descartada logo por pesquisadores. Porém, várias questões permaneciam sem resposta.

O novo estudo, cuja análise do material genético da múmia de 15 centímetros, apelidada de Ata, durou cinco anos, revelou que o esqueleto pertence a uma menina que teve várias mutações genéticas.

Segundo os pesquisadores, trata-se de um bebê prematuro que nasceu com diversas deformações nos ossos e crânio devido a uma série de mutações ligadas ao nanismo e ao envelhecimento prematuro. Anteriormente, especialistas acreditavam que os ossos pertenciam a uma criança com idade entre seis e oito anos.

Pesquisadores acreditam que Ata nasceu morta ou morreu logo após o nascimento. A análise revelou também que o esqueleto, encontrado dentro de uma bolsa de couro atrás de uma igreja, não tem mais de 40 anos. Ata possui ainda apenas dez pares de costelas, enquanto o normal seriam 12.

Usando o DNA extraído da medula óssea da múmia, os pesquisadores fizeram uma análise completa do genoma e determinaram que Ata é sul-americana e provavelmente da região andina.

De acordo com Garry Nolan, da Universidade de Medicina de Stanford e um dos autores do estudo, a descoberta pode no futuro ajudar a descobrir tratamentos para pacientes com problemas nos ossos. "Talvez possa haver alguma maneira de acelerar o crescimento dos ossos", acrescentou.

CN/afp/dpa

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