09/03/2018 às 03:06h
À beira da morte, os últimos suspiros do Mogi Mirim
ESPN

Os jogadores do Mogi Mirim em pé (da esquerda para a direita): o técnico Osvaldo Alvarez (Vadão), Fernando (o quinto da esquerda para a direita) - Agachados: Válber, Rivaldo e seus companheiros de equipe durante apresentação do elenco para a disputa do Ca© Gazeta Press Os jogadores do Mogi Mirim em pé (da esquerda para a direita): o técnico Osvaldo Alvarez (Vadão), Fernando (o quinto da esquerda para a direita) - Agachados: Válber, Rivaldo e seus companheiros de equipe durante apresentação do…

Uma triste história que mais uma vez se repete com mais um clube de futebol do interior de São Paulo. O grande Mogi Mirim que se destacou no início dos anos noventa com o “Carrossel Caipira”. Formado por Rivaldo, Leto, Valber e Ademílson é mais um time que entrou na estrada da extinção do futebol nacional.

O Sapão da mogiana, como sempre foi carinhosamente chamado, é o tema de um reportagem “especial” que retrata a história gloriosa à última e quinta queda consecutiva de um clube que já não tem mais para onde cair.

Para tentar entender o que aconteceu com o Mogi, passamos dois dias na cidade ouvindo torcedores, jornalistas e ex-jogadores.

Conhecemos Serginho Silva, o locutor de milhares de jogos do Mogi que conta e barra as gloriosas histórias daquele Carrossel que infernizava os times grandes do Brasil. Serginho tem na memória os gols narrados e os primeiros passos de Rivaldo que, anos depois, viria a ser um dos melhores jogadores do mundo e em seguida tornou-se presidente do Mogi Mirim.

Todos na cidade dividem muito bem a importância de Rivaldo como jogador do Rivaldo dirigente, Aliás, a grande maioria das pessoas entrevistadas são unânimes em afirmar que ele é o responsável pela péssima situação na qual o clube se encontra.

Segundo os entrevistados, Rivaldo chegou com a promessa de não se desfazer do Patrimônio conquistado pelo saudoso Wilson de Barrros, um dirigente que soube fazer dinheiro revelando e vendendo jogadores entre as décadas de 80 e 90.

Os depoimentos colhidos por nossa equipe dão conta de que, em vez de fazer bem, Rivaldo fez mal para o clube que o revelou nacionalmente. A bronca dos torcedores tem relação com a administração do ex-craque da seleção, que passou dois Centros de treinamentos e quarto apartamentos do Mogi para o próprio nome. O povo da cidade também não se conforma de Rivaldo ter colocado na presidência do Mogi o empresário e pastor Luis Henrique de Olviveira que, desde 2015, assumiu a administração do clube.

Encontramos o atual presidente na décima rodada da série A3, a terceira divisão do campeonato paulista. No jogo que aconteceu em Itapira, cidade vizinha de Mogi, o dirigente nos contou que a situação financeira do clube já passou da UTI, que o Mogi ainda deve cerca de 10 milhões de reais a Rivaldo e que tem mais outros 10 milhões em dívidas trabalhistas e com fornecedores do clube. Até banana o Mogi deve ao mercadinho e tem mais de uma centena de ações trabalhistas na justiça.

A ESPERANÇA NUNCA MORRE

No meio de todas a tragédia, encontramos no estádio interditado, o Vail Chaves, histórias de jogadores que ainda sonham brilhar em um territória praticamente arrasado. Lá, à espera da assessoria do clube para nos liberar para gravar, conhecemos dois jogadores que chegaram da baixada santista para fazer testes.

Pablo veio da última divisão do futebol alemão para tentar fazer história. Já Rafinha, um meia habilidoso, chegou para tentar reconstruir sua carreira no profissional mesmo afastado há 5 anos do futebol de campo.

Rafinha passou no teste e Pablo, o atacante sonhador voltou para a baixada santista sem saber o que será do amanhã. Claudinho, o quarto técnico da temporada de apenas 10 jogos nos recebeu mesmo sabendo que era apenas mais um treinador brasileiro com a corda no pescoço. Claudinho já havia sido jogador das divisões de base do Mogi, rodou o mundo como técnico e voltou ao Sapão para tentar um verdadeiro milagre.

Na entrevista feita com Claudinho, o técnico vai às lágrimas ao lembrar dos tempos em que o clube era admirado e respeitado por todos.

Acompanhamos o jogo, derradeiro do Mogi, último colocado na tabela contra o Mantinqueira, anti-penúltimo colocado na tabela da série A3.

Foi um domingo de reflexão, desde a saída do ônibus que se apresentava caindo aos pedaços até o anúncio de público de 37 pagantes,  com uma renda de R$ 270.

A quinta queda do Mogi Mirim é o mais puro reflexo do amadorismo e irresponsabilidade dos aventureiros na administração do futebol profissional.

Mais que palavras, recomendo ao fã de esportes que assista a reportagem abaixo. Que essa história não se repita com outros clubes. E que aqueles, metidos a conhecedores do futebol, não brinquem com sonhos e com coisa séria, pois afinal de contas, mais um time morto no interior do Brasil pode, certamente, levar todo o nosso futebol à falência.

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