06/03/2018 às 01:32h
Entenda o que é a Operação Carne Fraca e os impactos para a BRF

São Paulo – A Polícia Federal deflagrou hoje, 5, a terceira fase da Operação Carne Fraca, chamada de Operação Trapaça, com mandados de prisão preventiva de ex-executivos da empresa de alimentos BRF.

Iniciada em março do ano passado, a investigação da PF mira fraudes laboratoriais no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e irregularidades cometidas por frigoríficos de grandes companhias.

A nova fase investiga principalmente cinco laboratórios credenciados ao MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e setores de análises da BRF, que de acordo com a PF fraudavam resultados de exames com conhecimento de executivos do grupo.

Maior exportadora de carne de frango do mundo, a companhia tem sido atingida pelos escândalos, prejuízos bilionários e por disputas internas.

Entenda abaixo o que foram as três fases da Operação Carne Fraca e os impactos para a BRF.

1ª Fase

Iniciada em março de 2017, a primeira fase envolveu 1.100 agentes, 309 mandados judiciais, 27 pedidos de prisão preventiva, 11 de prisão temporária e ocorreu em 6 estados mais o Distrito Federal.

A PF, que investigou cerca de 30 frigoríficos por depoimentos e escutas telefônicas, afirmou que funcionários ofereciam propinas por certificados de qualidade adulterados.

Essa fase da operação foi a mais conturbada, com erros na divulgação das informações por parte da PF, que chegou a afirmar que algumas empresas adicionavam papelão à carne. O áudio gravado pelos fiscais na verdade se referia à embalagem do produto.

A JBS, dona da Friboi e Seara, e a BRF, dona da dona da Sadia e da Perdigão, estavam no centro da operação.

Na ocasião, a BRF foi investigada por supostas irregularidades no frigorífico de Mineiros (GO), fabricante de carne de aves, por uso de material impróprio na fabricação de alimentos.

Naquela operação, o gerente de Relações Institucionais, Roney Nogueira dos Santos, foi alvo de mandado de prisão preventiva, investigado por corrupção, passiva e ativa, concussão, peculato, prevaricação, advocacia administrativa, falsificação e adulteração de substância ou produtos alimentícios e lavagem de dinheiro.

Em relação às acusações, a BRF informou na época que estava colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. Ela afirmou que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos e que não compactuava com práticas ilícitas. Em nota, ela assegurou a qualidade e a segurança de seus produtos.

Mesmo assim, a companhia viu quedas nas vendas e exportações, com o aumento da desconfiança internacional em relação à carne brasileira.

Em carta aos investidores no seguindo trimestre de 2017, Pedro Faria, então presidente da BRF, e Abilio Diniz, presidente do conselho de administração, afirmaram que os principais eventos da Carne Fraca “já foram administrados”.

Antídoto

2a fase da Operação, batizada de Antídoto, foi deflagrada em maio do ano passado.

De acordo com a PF, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Goiás.

O principal alvo era Francisco Carlos de Assis, ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás. Ele foi gravado pela PF conversando sobre a destruição de provas relevantes para a apuração da Operação Carne Fraca.

O nome da fase é uma referência a uma ação policial colocada em prática com o objetivo de fazer cessar a ação criminosa do investigado e preservar eventuais novas provas.

Trapaça

A etapa mais recente, chamada de Trapaça, foi deflagrada hoje, 5. Enquanto a 1ª fase da operação envolvia dezenas de empresas, a 3ª foca na BRF.

A Polícia Federal cumpriu, na manhã de hoje, 11 ordens de prisão temporária e 27 mandados de condução coercitiva. Os policiais cumprem ainda 53 mandados de busca e apreensão em unidades da BRF – dona da Sadia e da Perdigão.

A operação apontou que cinco laboratórios e setores de análises da BRF fraudavam resultados de exames. As irregularidades teriam sido cometidas entre 2012 e 2015 com conhecimento de executivos da empresa, de acordo com denúncias de uma ex-funcionária que processou a companhia.

Entre os presos, estão o ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria, e o ex-vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Júnior.

BRF informou que “está se inteirando dos detalhes” da nova fase da operação e que colabora com as investigações para esclarecer os fatos. Em comunicado, a empresa ainda ressaltou que segue as normas e regulamentos relativos à produção e comercialização de seus produtos no Brasil e no exterior.

Além das investigações da PF, a BRF também sofre com problemas internos e apresentou um prejuízo de 1,1 bilhão de reais em 2017.

Os fundos de pensão Previ, do Banco do Brasil, e Petros, da Petrobras, entre os principais investidores da BRF defendem a troca dos executivos do conselho, incluindo Abilio Diniz, presidente do conselho de administração desde 2013.

Uma assembleia marcada para hoje deve decidir o futuro da companhia.

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