21/01/2018 às 11:42h
Estudante cuiabana tira nota mil na redação do Enem pela segunda vez

Johnny Marcus, repórter de A Gazeta


Dos mais de quatro milhões e meio de participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017, apenas 53 alcançaram a nota mil na redação. Uma cuiabana está entre eles, mas ela se destaca ainda mais, afinal é o segundo ano consecutivo que tira a mesma nota. No Enem 2016, Thaís Fonseca Lopes de Oliveira, 18, já havia conseguido a proeza de tirar nota máxima.

No primeiro Enem de Thaís, sob o tema “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, a nota mil lhe valeu a aprovação para o curso de Direito, mas não era o que realmente queria. “Minha meta era Medicina. Então, decidi continuar estudando e minha família me deu todo o suporte”, conta.

Marcus Vaillant

Thaís ao lado dos professores Luís César e Marijane

Já ano passado, o tema da redação pegou muita gente de surpresa, inclusive Thaís. Contudo, escrever sobre os “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” foi relativamente simples por conta da correlação com os assuntos que vinham sendo trabalhados na escola católica onde estuda. “O tema surpreendeu, mas mantive a calma. Rezei antes de começar e tudo correu bem”.

Thaís ressalta que grande parte do êxito deve-se à estratégia utilizada. “Li a proposta e sistematizei os argumentos, preparei a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Levei em torno de uma hora e meia para fazer o rascunho. Depois passei o texto a limpo e fiz o restante das provas”.

Nerd, não

Thaís faz parte de uma “elite” do Enem. Dos 4,72 milhões de candidatos que realizaram as provas em 2017, os 53 que conseguiram a nota mil representam 0,0011%, índice menor que o de 2016, quando foram 77 (0,0013%) entre 5.848.619 candidatos que tiraram mil.

Thaís apressa-se em esclarecer que não é nerd. “Sou dedicada”, afirma. Sua rotina consistia de 4 a 5 horas de estudo depois das aulas. Como para escrever um bom texto é preciso ter argumentos, a jovem conta que assistia aos principais telejornais e lia os sites de notícia. A distância mantida das redes sociais ajudou.

“Eu não ficava no Facebook. Com mais tempo livre, eu pesquisava bastante sobre os temas que a professora trazia nas aulas de redação. As disciplinas de Filosofia e Sociologia da grade escolar foram muito importantes”.

O currículo mais holístico, segundo Luís César, coordenador de Ensino Médio e Pré-Vestibular da escola São Gonçalo, onde Thaís estuda, “faz toda a diferença na hora de escrever. Sem esse aparato, a possibilidade de fuga do tema é muito grande”. Marijane Martins, professora de redação há 25 anos corrobora com a opinião. “A maioria dos alunos não tem a leitura fortalecida, daí a dificuldade em escrever”. 

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