22/12/2017 às 10:25h
Combate ao tráfico doméstico fecha 210 bocas de fumo em Cuiabá
Christiane Barros | PJC-MT


As ações de enfrentamento ao comércio e distribuição de drogas em pequenas quantidades nos bairros de Cuiabá e Várzea Grande, resultaram, no ano de 2017,  no fechamento de 210 pontos de vendas de entorpecentes, as populares “bocas de fumo”, e prisão de 150 traficantes de pequeno e médio porte.

O trabalho de mapeamento e desarticulação dos pontos foi realizado pela Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE), em cumprimento as diretrizes da Segurança Pública e da Polícia Judiciária Civil para redução dos índices de roubos, furtos e homicídios na região metropolitana.

Mesmo com foco direcionado as bocas de fumo, instaladas em bairros, na maioria, periféricos, as investigações da Delegacia apreenderam mais de 1.600 quilos de drogas, que seriam distribuídas pelos traficantes nas duas maiores cidades do Estado de Mato Grosso e também para o interior.

O montante é resultado das operações deflagradas pela DRE neste ano, na repressão ao tráfico interestadual de entorpecentes e também o tráfico doméstico, aquele considerado “formiguinha”.

O delegado Vitor Chab Domingues, titular da DRE, explica que o tráfico doméstico de entorpecente age com intensa comercialização de pequenas quantidades de drogas e cria raiz no bairro, causando temor e sensação de insegurança no morador de bem e trabalhador.

“Nesse local, há indiretamente a consumação de outros delitos, como furto, roubo, homicídio e até latrocínio, pois o usuário de droga, principalmente, aqueles que vivem à  margem da miséria, para sustentar o vício, comete os delitos e troca mercadorias furtadas ou roubadas na boca de fumo, no intuito de adquirir a droga”, analisa.

As bocas de fumo, em sua maioria, instaladas em residências particulares ou comércios como bares e restaurantes, muitas das vezes são usadas de fachada para venda de droga. Nesses locais são sempre encontrados porções de drogas, balanças de precisão, aparelhos celulares, dinheiro, além de veículos e motos “empenhados” por usuários de entorpecentes. 

Segundo o delegado, a  DRE não deixou de atuar no tráfico interestadual, dos grandes carregamentos de drogas oriundos de países vizinhos, Paraguai e Bolívia. “O tráfico interestadual passa pela cidade e não deixa nenhuma mácula. Agora o tráfico doméstico tem raiz no bairro, fomenta os índices de criminalidade no local, trazendo sensação de insegurança, porque gera outros tipos de crimes, como homicídio por dívida de drogas”, analisa. “Por isso, a importância de combater o tráfico de drogas doméstico”, afirma.

Participação da sociedade

A sociedade é uma grande aliada no combate ao tráfico de drogas e pode contribuir com denúncias referentes ao comércio e traficantes da região onde mora, pelo Whatsapp (65-9 9989-0071), e pelo 197, no Centro Integrado Operações de Segurança Pública (CIOSP).

“É de suma importância que a sociedade acredite no trabalho dos policiais, e, nesse ano, observamos uma contribuição muito grande por parte da sociedade, através de denúncias que garantem o anonimato. Razão pela qual, se deslumbra que o cidadão está confiando nas forças de segurança pública”, disse.

O delegado Vitor Chab Domingues contou, que ano passado, policiais civis da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), quando estavam atendendo local de crime recebiam muitas reclamações e 90% eram relacionadas à existência de bocas de fumo.

“Atualmente isso reduziu. Vejo como reflexo do combate ao tráfico doméstico de drogas nos principais bairros considerados mais complexos”, comemora.

Investigação

Adoção de recursos variados de inteligência, veículos acautelados automóveis de marcas e modelos diferentes, em razão da necessidade de fazer vigilância e monitoramento, sem despertar desconfiança dos investigados e curiosos, são necessários as investigações para repressão qualificada do tráfico de drogas.

A investigação em bairros acaba sendo tão sensível quanto na fronteira. Os traficantes utilizam de vários mecanismos para impedir a ação da polícia. São “olheiros” e pessoas com celular em mãos que enviam mensagens instantâneas avisando que há policiais no local.  Outra característica peculiar do tráfico doméstico, é que o criminoso não guarda grandes quantidades de droga na residência, esconde ou enterra. 

“Então, a investigação se torna mais difícil, demorada e complexa, sendo necessário se fazer grande vigilância para analisar o local, movimentação de pessoas, obter provas e colher indícios”, analisa Chab.

Integração 

A troca de informação tem acontecido principalmente nas ações deflagradas “Bairro Seguro”, onde os trabalhos são baseados nos relatórios produzidos pela Polícia Militar, tanto em Cuiabá quanto em Várzea Grande, que são encaminhados à Delegacia de Entorpecentes (DRE), que fica encarregada de representar junto ao Judiciário pelos mandados de buscas e apreensão. Após os deferimentos das ordens judiciais, os policiais civis em conjunto com militares, saem às ruas para o cumprimento.

O Núcleo de Inteligência (NI) da DRE iniciou neste ano planejamento junto com a Delegacia Regional de Cáceres e a Delegacia Especializada de Fronteira (DEFRON), para intensificar a atuação na região de fronteira, com objetivo de combater as organizações criminosas que atuam no carregamento de pasta base de cocaína, para coibir a entrada de entorpecente, que segue para outros estados do Brasil e a Europa, além da maconha que vem do Estado do Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, e abastece a Grande Cuiabá.

Números

São 210 bocas de fumo fechadas, 703 inquéritos policiais instaurados; 623 inquéritos relatados; apreendidas 1.600 quilos de maconha, 7 quilos cocaína;  confeccionados 83 autos de prisão em flagrante, 98 Termos Circunstanciado de Ocorrência (TCO), expedidos 406 ordens de serviço e presas 145 pessoas.

A Delegacia de Entorpecentes é comandada pelos delegados Vitor Chab Domingues (titular) e os adjuntos, Marcelo Miranda Muniz e Rodrigo Azem, juntamente com suas equipes de investigadores e escrivães. 

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