22/12/2017 às 09:46h
Os quatro embates épicos de 2017 (e quem saiu ganhando)


São Paulo — O ano que está acabando foi marcado por muitas animosidades. Confrontos diretos ou velados entre várias figuras da política tomaram os noticiários, fazendo recrudescer o clima de polarização política.

Relembre três embates do ano que passou, que podem ajudar a compreender o que nos espera em 2018, das eleições presidenciais:

Moro x Lula

O juiz Sérgio Moro interrogou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva duas vezes neste ano. E, nas duas, o que se viu foi um bate-boca entre o magistrado e o político do PT.

No primeiro interrogatório, Lula foi chamado para prestar depoimento sobre o caso do tríplex no Guarujá. Na segundo, para fornecer esclarecimentos sobre a acusação de ter recebido propina da Odebrecht para a compra de um terreno que seria destinado à construção da sede do Instituto Lula.

O primeiro encontro foi menos tenso, com o detalhe curioso de Moro estar vestindo uma gravata vermelha enquanto Lula usava uma verde e amarela. Depois do interrogatório, Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

O segundo depoimento teve um clima mais pesado. Nas considerações finais, o ex-presidente Lula acusou o juiz de agir com parcialidade no julgamento do caso do tríplex.

“Eu não vou discutir a outra ação com o senhor, ex-presidente”, respondeu Moro. “A minha convicção é que o senhor é culpado”.

Temer x Joesley

O presidente Michel Temer se viu em apuros quando o jornal O Globo divulgou uma conversa gravada entre ele e o empresário Joesley Batista, da JBS, num encontro fora da agenda oficial, à noite, no palácio Jaburu.

Na conversa, Joesley supostamente alude a pagamentos feitos ao ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso, e Temer responde: “tem de manter isso aí, viu”.

A frase escandalosa motivou a primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República contra um presidente em exercício. Para se defender, Temer partiu para o ataque. Ele chamou Joesley de “grampeador-geral da República”, ao que o empresário rebateu dizendo que Temer era o “ladrão-geral da República”.

Após descobertas irregularidades na delação de Joesley, o empresário foi preso. Já Temer conseguiu barrar as duas denúncias contra ele no Congresso; e só poderá ser investigado após o fim do mandato.

Doria x Alckmin

A disputa entre o prefeito de São Paulo, João Doria Junior, e o governador do estado, Geraldo Alckmin, foi mais passivo-agressiva. Novato na política e eleito com o apadrinhamento de Alckmin durante a campanha, Doria começou a demonstrar pretensões presidenciais, o que desagradou ao mentor.

Quando começava a ser criticado por suas viagens a várias capitais do país, o prefeito de São Paulo afirmou que “o povo” deveria escolher o candidato tucano à presidência, o que acabou criando uma crise até entre aliados.

Suas ofensas ao ex-governador do PSDB, Alberto Goldman, também pegaram mal. Doria afirmou que Goldman era “fracassado”, “improdutivo” e disse que ele “vive de pijama”.

A aprovação de sua gestão caiu entre os paulistanos. Ao mesmo tempo, Alckmin montou uma ofensiva para unificar o partido e foi eleito presidente do PSDB.

Agora, Doria parece ter abandonado, por enquanto, suas pretensões à presidência da República. Deve sair candidato ao governo do Estado em 2018.

Gilmar x Barroso

Não foram só os políticos que protagonizaram cenas de antagonismo neste ano. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso bateram boca em mais de uma ocasião em 2017.

Em junho, eles trocaram farpas durante a discussão sobre invalidação das provas em delações premiadas já firmadas. “Essa é a opinião de Vossa Excelência. Deixa os outros votarem”, disse Gilmar, irritado, a Barroso.

Em outubro, novo bate-boca, nessa vez sobre a extinção dos tribunais de contas municipais. Gilmar Mendes começou alfinetando, criticando a situação financeira do estado do Rio de Janeiro, onde Barroso nasceu. Ele rebateu, então, perguntando se no Mato Grosso, estado de Gilmar Mendes, “está tudo muito preso”.

O último embate foi há dois dias, quando Gilmar Mendes criticou a investigação da Procuradoria Geral da República na delação da JBS, chamando o trabalho de “corta e cola mal feito”.

Barroso saiu em defesa da PGR, afirmando: “eu vi a mala de dinheiro, vi a corridinha na televisão”.


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