26/11/2017 às 10:50h
Carlos Bezerra é investigado no STF por causa de propina em desapropriação

Celly Silva, repórter/GD


O deputado federal Carlos Bezerra (PMDB) é alvo de uma petição sigilosa no Supremo Tribunal Federal (STF) por conta do envolvimento na desapropriação fraudulenta do bairro Jardim Renascer, em Cuiabá, ocorrida em 2014, último ano da gestão do ex-governador Silval Barbosa.


Deputado federal Carlos Bezerra (PMDB)

A informação consta nos documentos relativos à delação premiada do ex-chefe da Casa Civil Pedro Nadaf, que apontou desvio milionário no pagamento de indenização à empresa Valle Negócios Imobiliários Ltda, ex-dona do imóvel. Ao todo, a imobiliária teria recebido R$ 33,2 milhões.

A abertura da petição foi autorizada pelo ministro Luiz Fux, no final de maio, atendendo à pedido do então procurador-geral da República Rodrigo Janot. No mesmo procedimento, também são investigados os conselheiros afastados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) Antônio Joaquim, José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo, Valter Albano e Waldir Teis.

Os 5 figuram como partes porque também foram delatados por Pedro Nadaf, como destinatários de R$ 50 milhões em propina exigida de Silval Barbosa e paga por meio de diversas fraudes, incluindo a desapropriação do Jardim Renascer, oque também já foi noticiado pelo Gazeta Digital.

Conforme o delator, Carlos Bezerra sempre era visto na companhia do então procurador-geral do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, na Casa Civil, tratando sobre a desapropriação 
Em relação a isso, Nadaf contou que Chico Lima vivia reclamando para ele da constante pressão que Bezerra fazia para que a desapropriação fosse concretizada, uma vez que ele tinha contato direto com o proprietário da área e seria o intermediador da negociação.

No mesmo assunto da desapropriação do Renascer, Carlos Bezerra também foi delatado por Silval Barbosa, que o acusou de ter ficado com R$ 1 milhão em propina por ter feito a intermediação entre o governo e a imobiliária que detinha a área do bairro.

João Vieira

O delator Pedro Nadaf

Outro lado

Gazeta Digital telefonou para o deputado Carlos Bezerra, que disse apenas que estava em Plenário na Câmara Federal e que não estava escutando a ligação. Em contato com sua assessoria de imprensa, foi informado que o parlamentar ainda não foi intimado da petição no STF.

Em agosto, por meio de assessoria, o parlamentar havia explicado que realmente fez a intermediação entre o proprietário do imóvel desapropriado e o governo à época, mas negou que tenha recebido propina em troca disso.

Segundo ele, havia um relacionamento com os diretores de uma usina de cana de açúcar de Jaciara desde o tempo em que foi governador, entre 1987 e 1990, porque em uma negociação com os usineiros, conseguiu terras que foram utilizadas em programas de assentamento de famílias.

Já na gestão de Silval, esses executivos o teriam procurado para pedir que intermediasse o contato deles com o governo pois queriam ser indenizados pelo imóvel do Jardim Renascer, que é um bairro oriundo de invasão. Após a intervenção de Bezerra, Silval Barbosa aceitou receber os empresários para tratar da desapropriação e o deputado federal não teria tido mais participação no caso.

Bezerra acusa Silval Barbosa de calúnia e difamação e diz que já acionou seus advogados para processar o ex-governador e cobrar indenização por danos morais. 

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