22/11/2017 às 10:16h
Financiador nº 1 de novo ministro é investigado no caso Cachoeira
Folhapress

Deputado de GO aceita convite para assumir Ministério das Cidades: Alexandre Baldy teve reunião com o presidente Michel Temer neste domingo (19)© Alex Ferreira / Câmara dos Deputados Alexandre Baldy teve reunião com o presidente Michel Temer neste domingo (19)

Alvo da CPI do Congresso Nacional que investigou Carlos Cachoeira em 2012, o novo ministro das Cidades, Alexandre Baldy (que se filiará ao PP), recebeu doações eleitorais de um irmão do empresário dos jogos e tem pelo menos outros dois aliados vinculados ao escândalo.

O sogro e principal financiador de sua campanha a deputado federal em 2014, Marcelo Limírio Gonçalves, é réu ao lado de Cachoeira em uma ação de improbidade na Justiça Federal de Goiás.

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O suplente que assumirá a vaga de Baldy na Câmara, Sandes Júnior (PP-GO), é alvo de inquérito sob a suspeita de ter cometido três crimes em conluio com Cachoeira.

O inquérito foi enviado recentemente a Goiás, mas deve voltar para a relatoria do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, devido ao foro privilegiado.

Carlos Augusto de Almeida Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, foi o pivô do primeiro escândalo do governo Lula. Em 2004 veio à tona vídeo de uma conversa dele sobre propina com Waldomiro Diniz, o que levou à exoneração do então assessor do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

Anos depois o empresário dos jogos foi o centro de investigações da Polícia Federal que revelaram o envolvimento de empresários e agentes públicos com ilegalidades, resultando na cassação do mandato do então senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Ex-secretário do governo de Goiás, Alexandre Baldy figura no relatório final da CPI como tendo colaborado com o esquema de Cachoeira.

O relatório final da CPI foi derrotado por 18 votos a 16 na comissão, após acordo entre as legendas atingidas. No lugar, aprovou-se um texto paralelo de apenas duas páginas, que não sugeriu o indiciamento de ninguém.

Após pressão do centrão, Baldy deve ser empossado nesta quarta (22) como novo ministro das Cidades. A indicação é chancelada pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

CONTAS DE CAMPANHA

Baldy declarou em 2014 ter arrecadado R$ 5,5 milhões para sua campanha a deputado federal, uma das mais caras do país. Entre os recursos, R$ 450 mil vieram de empresa vinculada a um irmão do empresário dos jogos.

O principal financiador, porém, é o empresário Marcelo Limírio, ex-integrantes do bloco de controle da Hypermarcas e apontado em operação como sócio oculto de Cachoeira.

Marcelo, sogro de Baldy, doou R$ 1,2 milhão como pessoa física e outros valores por meio de suas empresas. Ele responde na Justiça Federal de Goiás a ação de improbidade administrativa, sob suspeita de enriquecimento ilícito, ao lado de Cachoeira.

O relatório da CPI assinado pelo petista Odair Cunha (MG) identificou pagamento de empresas de Marcelo aos advogados de Cachoeira e o descreve como tendo vinculação "pessoal e econômica" com Cachoeira.

Mas diz não ter colhido elementos que o coloquem entre os membros da organização criminosa, sugerindo aprofundamento das investigações.

Sobre Sandes Júnior, a PF gravou várias ligações dele com Cachoeira. O parlamentar usava, segundo as investigações, um aparelho de rádio Nextel habilitado nos Estados Unidos e que, devido à equivocada crença de que era antigrampo, teria sido fornecido por Cachoeira a "membros seletos da organização".

Em uma das gravações, Sandes pede "sete mil conto" para pagar uma pesquisa eleitoral. Em outra, um patrocínio de R$ 150 mil para custear viagem do time de futebol do filho.

OUTRO LADO

Por meio de sua assessoria, Alexandre Baldy afirmou que todas as doações eleitorais que recebeu foram "devidamente registradas, dentro da lei, e aprovadas pela Justiça Eleitoral".

Ele disse ainda que sua relação com Sandes Junior "é a mesma que ele possui com todos os demais colegas da bancada federal goiana".

Baldy não respondeu especificamente sobre a motivação da doação recebida de empresa vinculada a um irmão de Cachoeira.

Ele nega contato próximo com o empresário dos jogos, dizendo que a relação se resume a um laço familiar relativamente distante.

Em manifestações anteriores, afirmou que a CPI do Congresso teria sido criada por aliados do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o intuito de perseguir o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

"Não tenho envolvimento nenhum com ele [Cachoeira]. Aquela CPI funcionou exclusivamente como vingança do PT contra o governador Marconi Perillo."

A reportagem telefonou e mandou mensagem para Sandes Júnior, mas não conseguiu falar com o parlamentar nesta terça-feira (21).

Foi deixado recado, com o teor da reportagem, no escritório de advocacia da defesa de Marcelo Limírio, em Goiânia, mas não houve resposta até as 20h. Com informações da Folhapress. 

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