15/11/2017 às 09:39h
Delator diz que Globo pagou propina para ter as Copas de 2026 e 2030
ESPN

O argentino Alejandro Burzaco acusa a TV Globo de ter pago propina para Julio Humberto Grondona, ex-presidente da Associação Argentina de Futebol, para assegurar os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. Burzaco é uma das principais testemunhas de acusação no julgamento de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, que acontece em Nova York, nos Estados Unidos, parte do processo Fifagate de investigação dos escândalos de corrupção no futebol.

A informação foi publicada pela "Folha de S.Paulo" nesta terça-feira. De acordo com o texto, Burzaco afirmou que a  emissora brasileira agiu juntamente com a mexicana Televisa e a empresa de marketing esportivo Torneos y Competencias, cujo dono era o argentino. A soma paga por elas foi de US$ 15 milhões (R$ 49,6 milhões).

O valor teria sido depositado no banco Julius Bär, na Suíça, para assegurar os direitos de transmissão dos dois Mundiais para TV, rádio e internet. Burzaco disse também que os valores pagos pelas empresas nos contratos com a  Fifa ficavam abaixo do mercado para que pudessem ser inflados com o pagamento de propinas. 

A TV Globo se posicionou por meio de uma nota para responder as acusações de Burzaco. Confira:

"Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige."

  • Outras acusações

Durante o depoimento, Alejandro Burzaco citou um encontro em Londres, na Inglaterra, em 2013, para que esse acordo fosse fechado. Segundo ele, Marin, Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, e executivos da americana Fox Sports estavam presentes nesta reunião na capital inglesa.

A testemunha de acusação disse que durante o encontro Marin e Del Nero reclamaram por não ter recebido até aquele momento o pagamento de propina referente aos direitos de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana de 2013. Também foram cobrados pagamentos de US$ 2 milhões e US$ 3 milhões (R$ 6,6 milhões e R$ 9,9 milhões, respectivamente), referentes a outras negociações de direitos de transmissão de campeonatos.

No depoimento desta terça, Burzaco informou que eram gastos cerca de US$ 66 milhões (R$ 128,6 milhões) em pagamentos de propinas para dirigentes da Conmebol para assegurar os contratos de transmissões das edições de 2015, 2016, 2019 e 2023 da Copa América. 

Marin e Del Nero eram alguns dos beneficiados. Ricardo Teixeira, antecessor deles como presidente da CBF, também teria recebido propinas neste esquema.

Durante o depoimento, o argentino ainda detalhou como ocorriam a criação de empresas e contratos falsos para que as operações pudessem ser realizadas sem gerar suspeita. Assim surgiu a Datisa, junção da Torneos y Competencias com as empresas Traffic, de José Hawilla, e Full Play, de donos argentinos.

Burzaco tornou-se a principal testemunha de acusação no julgamento sobre escândalos de corrupção na FIfa. Ele está há dois cumprindo prisão domiciliar em Nova York e concordou em fazer uma delação premiada para diminuir a própria pena, que ainda não foi anunciada.

De acordo com o texto da "Folha de S.Paulo", Burzaco iniciou o depoimento desta terça-feira chorando. O motivo foi a notícia do suicídio de um advogado argentino citado por ele na véspera como um dos beneficiados com o esquema de pagamentos de propina.

Alejandro Burzaco é conduzido para o tribunal em Nova York para julgamento do Fifagate
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