27/07/2017 às 10:17h
Para marcar 'Julho Verde' HCan faz mutirão hoje

Alcione dos Anjos, Redação A Gazeta


Rodinei Crescêncio 

Para marcar o Dia Mundial de conscientização e combate ao câncer de cabeça e pescoço, nesta quinta-feira (27), o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan/MT) irá atender, gratuitamente, 1 mil pessoas até o final do dia. A ação é inédita e insere Mato Grosso na campanha nacional “Julho Verde” de prevenção e conscientização, promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP). “A atividade visa alertar a sociedade sobre este tipo de tumor que é bastante incidente, mas que a população ainda não esta a par”, informa o cirurgião de Cabeça e Pescoço, Erik Bustamante, um dos coordenadores do mutirão.

Segundo o médico especialista na área, nos 2 últimos anos das cirurgias e biopsias realizadas em pacientes na região cabeça e pescoço no HCan, cerca de 40% dos casos tiveram resultado positivo para câncer. “O grande problema de Mato Grosso é que, normalmente, devido a distância das cidades da capital, a gente encontra muitos pacientes com a doença em estágio avançado. A nossa intenção com a ação é encontrar pacientes em estágio inicial, em que a probabilidade de cura chega até 90%”.

Segundo o cirurgião, além de reduzir as chances de cura, o tratamento em casos mais avançados é muito agressivo. “Por ser uma área exposta, face e pescoço, dependendo do local do tumor, muitas vezes é mutilante. As vezes, o paciente chega com o câncer em um estágio tao avançado que não há o que fazer cirurgicamente. Eles são encaminhados previamente para rádio ou quimioterapia”.

No HCan encontramos o auxiliar de serviços gerais, que não quer se expor, mas deseja alertar as pessoas sobre o risco do cigarro. Morador de São Pedro da Cipa (148 km de Cuiabá), S.S.S, 54 anos, fumou por 40 anos, a voz foi ficando rouca com o tempo até que procurou por um médico há cerca de 1 ano. O médico fez exame de laringoscopia e percebeu alguns nódulos. A biopsia confirmou o tumor de laringe. S. passou por uma laringectomia (remoção total da laringe) e precisou de uma traqueostomia permanente (incisão feita na traqueia para ajudar o paciente a respirar).

Hoje tem dificuldades para falar, precisa tapar a incisão para o som se propagar, o esforço irrita a garganta e a tosse é constante. Há 3 meses está longe da família e afastado do trabalho para tratamento de radioterapia na Capital. “Sempre que vejo alguém fumando aconselho a parar. Depois não tem volta”.

Ínguas no pescoço podem ser 1º sinal

De acordo com o cirurgião de Cabeça e Pescoço, Erik Bustamante, o público prioritário da campanha “Julho Verde” são pessoas com nódulo no pescoço que não some, lesões na boca (tipo aftas) que não cicatrizam em até 15 dias, aumento do volume de tireóide (popularmente chamado como papo), lesões de pele na região da face e pescoço que não cicatrizam, rouquidão progressiva, mancha branca na boca, sensação de espinha de peixe na garganta, fumantes e quem faz uso de bebida alcoólica.

“As vezes a primeira coisa que aparece são as chamadas ínguas no pescoço. Ao fazer o diagnóstico pode ser um linfoma, um câncer de tireóide que já deu uma metástase e ainda não foi visualizada”, cita o médico. “São várias patologias, bastante comuns mas que a população ainda não se atentou”.

Para organizar a ação, o Hospital de Câncer está distribuindo senhas, por ordem de chegada, desde às 7h da manha. O hospital não fez nenhum pré-agendamento, mas exigiu aos pacientes cópias dos documentos pessoais (como RG e CPF), cartão do SUS e comprovante de endereço para serem atendidos.

Os atendimentos serão filantrópicos pelo HCan e recebem apoio da SBCCP e do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO/MT). O atendimento será feito pelas equipes de cirurgia das áreas de Cabeça e Pescoço, Oncologia e a Bucomáxilo, junto com os médicos residentes do HCan. “De 10 a 12 profissionais estarão envolvidos nesse dia de conscientização e prevenção ao câncer”, afirma Bustamante.

Cuidados

A associação entre tabaco e álcool aumenta em 19 vezes a chance de ter câncer nessa região, segundo o Inca. Outros fatores de risco são má higiene dental e oral, refluxo gastro-esofageano e infecções pelo papilomavírus humano (HPV) e vírus Epstein-Barr (EBV).

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