12/07/2017 às 12:11h
Delegada afirma que Taques indicou números para serem interceptados

Karine Miranda/ GD



Em depoimento à Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso, a delegada Alessandra Saturnino confirmou que o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, teria repassado em um papel números de telefones da ex-amante e ex-servidora pública, Tatiane Sangalli Padilha, de sua assistente à época, Carolina dos Santos, e do jornalista de oposição José Marcondes, o Muvuca.

Taques, inclusive, teria entregue os números para serem interceptados durante a operação Forti, conduzida pela Polícia Civil em 2015, para apurar a existência “escritórios de crimes” dentro de unidades prisionais, com o intuito de promover tráfico de drogas e homicídios.

O depoimento faz parte do inquérito policial aberto após pela juíza da 7ª Vara Criminal, Selma Rosane Santos Arruda, afirmar que há indícios de que escutas telefônicas foram realizadas de forma clandestina durante a operação.

Conforme depoimento, Alessandra ocupava o cargo de secretária-adjunta de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e foi convidada a ir ao Palácio Paiáguas pelo também secretário Fábio Galindo. Ela diz que quando entrou na sala também estava o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques.

Em conversas, Taques lhe disse que havia tomado conhecimento que o ex-chefe do crime organizado de Mato Grosso, João Arcanjo Ribeiro, estaria recrutando a Tatiane com o propósito de criar uma relação conjugal com a finalidade de ele conseguir a transferência para o Sistema Prisional de Mato Grosso. João Arcanjo está preso há 14 anos.

Disse ainda que a união de Tatiane e João Arcanjo tinha o proposito de “arquitetar um atentado contra a vida do governador e do próprio Paulo Taques” e que quem ajudaria Tatiane era sua ex-assistente, Carol que obtinha informações privilegiadas do seu gabinete.

Ainda na conversa, Taques admitiu que teria encerrado um relacionamento extraconjugal com Tatiane, motivo pelo qual ela tramara contra sua vida. “Paulo Taques falava de forma bem incisiva e dizia que estaria vazando informações do gabinete desse e do governador e que ele supunha até o sumiço de documentos e que desconfiava de Carol que seria conhecida de Tatiane”, diz trecho do depoimento.

Em dado momento, Taques teria lhe entregado um papel onde constavam os 3 números de telefones e informado que Muvuca precisava ser investigado por suspeita de que ele estaria recebendo informações privilegiadas das duas mulheres.


Reforçou  que Taques lhe disse que tinha recebido aquela “grave denúncia de um órgão federal, pois ele dizia que o governador, apesar de ter deixado o cargo de procurador da República, ainda gozava de grande prestígio perante seus antigos pares, dando a entender que aquela informação teria vindo da Procuradoria da República ou da Polícia Federal”, diz trecho do depoimento da delegada.
Ainda segundo o depoimento, a delegada questiona qual seria a participação do jornalista José Marcones Neto, o Muvuca, na trama quanto a possível vinda de Arcanjo, porém “ele não conseguiu demonstrar nenhum nexo”. Ela afirma ainda que descartou o nome de Muvuca da investigação, pois não encontrou nenhum tipo de envolvimento dele.

Taques ainda teria mostrado à delegada uma folha onde ela conseguiu ver somente o nome de Tatiane naquilo que parecia ser uma degravação de interceptação telefônica. “mostrou o papel para demosntrar que o que ele tinha dito para a delagda era realmente verdade”, diz. 

Investigação – Diante das informações recebidas, a delegada diz que acionou a então diretora de Inteligência da Polícia Civil, Alana Cardoso, e que na conversa acreditava que a possível transferência de Arcanjo para o sistema prisional estadual “poderia trazer ou gerar varias consequências ao sistema”.

Afirmou ainda que, por isso, entendeu-se que estava de acordo com as investigações realizadas dentro da operação Forti e inseriu os nomes de Tatiane e Carolina em uma representação por interceptação telefônica da operação.

As duas tiveram as conversas acompanhadas em um anexo chamado de “pequi”, dentro da operação já em andamento. Todos os equipamentos utilizados foram oficiais e o responsável pelo monitoramento e nada relevante havia sido detectado nas conversas, segundo a delegada.

Além disso, a delegada afirmou que o teor das conversas interceptadas foram gravados no sistema Guardião e não foi repassado ao ex-chefe da Casa Civil e nem ao governador Pedro Taques, quem ela afirma nunca ter tido contato. 

Outro lado - O ex-secretário Paulo Paulo Taques foi procurado para comentar o assunto e negou todas as acusações. Classificou como mentira o teor de depoimento da delegada e atestou que nunca entregou número de quem quer que seja e muito menos pediu para que as mulheres fossem investigadas. Sustentou ainda que nunca falou sobre qualquer plano de atentado.

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