30/05/2017 às 01:07h
Joesley Batista diz que indicou mato-grossense a cargo no Mapa

Redação do Valor Econômico


Em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista, sócio da holding J&F, holding que controla a JBS, revelou que atuou diversas vezes com o ex-deputado Eduardo Cunha e o seu operador, Lúcio Funaro, em um esquema de corrupção montado no Ministério da Agricultura para favorecer suas empresas e reverter em propinas pagas ao político e seu braço-direito.

Joesley diz que os dois intermediaram em 2013 a nomeação do mato-grossense Rodrigo Figueiredo para o cargo de secretário de Defesa Agropecuária do Ministério (SDA), departamento responsável pela sanidade agropecuária no país e onde são obtidas as licenças obrigatórias para que as empresas de alimentos atuem tanto no mercado, tanto interno quanto externo.

Assessoria

Figueiredo era ligado a Toninho Andrade, ministro da Agricultura à época e, pelos relatos de Joesley, assinou vários “atos de ofício” que favoreciam a J&F e ainda rendeu propinas no valor total de R$ 7 milhões a Funaro e Cunha. O mato-grossense ocupou cargos de destaque durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando chegou a ser ministro das Cidades, e de Dilma Roussef (PT).

O empresário conta que esse montante de propinas foi especificamente pago pela J&F em contrapartida pela edição de dois atos normativos pela SDA do Ministério da Agricultura: um permitiu a regulamentação das exportações de despojos (partes de animais), caso que ficou polêmico na época e foi bastante criticado por pequenos e médios frigoríficos; e o outro revogou uma portaria ministerial que proibia o uso de um vermífugo de longa duração e assim reestabelecia o uso de vermífugos de prazo curto, “o que evitava dificuldades fitossanitárias na exportação de carnes”.

A questão dos despojos, segundo Joesley, na verdade, foi o único pleito da J&F que Cunha e Funaro conseguiram emplacar no sentido da “federalização da inspeção animal”.
O depoente [Joesley] acabou por solicitar a Lúcio Funaro que conseguisse a federalização do sistema de inspeção animal no Brasil tendo em vista que o caráter federativo [por Estado e município] desse sistema – em que o porte da operação do frigorífico determina se estará sujeito à inspeção federal ou à estadual ou à municipal – cria graves distorções concorrenciais em desfavor das empresas maiores, além de graves riscos à saúde pública”, diz um termo de delação do empresário.

Esse assunto, inclusive, motivou uma discussão acalorada entre Joesley e Cunha no gabinete do então ministro da Agricultura, Toninho Andrade. O ministro precisou apartar a briga para evitar “confrontação física”, pois Cunha se exaltou dizendo que o empresário “apresentava demanda inviáveis e que isso complicaria as coisas para ele [Joesley], insinuando que a dificuldade dessas demandas impedia a obtenção de propinas”.

As propinas eram sempre depositadas numa conta-corrente de Funaro e repartidas com Cunha, segundo Joesley. Mas, curiosamente, uma vez, o empresário revela ter transferido um helicóptero seu, apelidado de “Augusta”, para Funaro, a título de pagamento de propina.

LOTEADO

Joesley contou em sua delação premiada que o Ministério da Agricultura é totalmente “loteado” por políticos, que mantêm poder sobre cargos na pasta. Mas sinalizou que o fato de o ministério não ser comandado por um só grupo político, e sim por vários, desestimulava os interesses de seu grupo empresarial no órgão. “O Ministério da Agricultura é muito loteado, cada ‘postozinho’ é um deputado que indicou, um senador que indicou. Então não tem um aparelhamento organizado, como a gente está vendo na Carne Fraca, no Paraná, tem um secretário da regional com um grupo que domina”, disse Joesley. “Lá é tudo loteado, uma confusão, então não tinha nada para fazer lá”, contou.

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