23/05/2017 às 12:56h
Promotora de justiça sabia de esquema e não processou criminalmente, diz dono da JBS

Celly Silva/ GD


O empresário Wesley Batista, dono da JBS, em sua delação à Procuradoria Geral da República (PGR) sobre propinas pagas no Estado de Mato Grosso, afirmou que a promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco, coordenadora do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) sabia que ele havia pago R$ 30 milhões em propina para o ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

Reprodução

Dono da JBS, Wesley Batista disse a procurador que confessou ter pago R$ 30 milhões em propina pra Silval Barbosa

Segundo Wesley, em meados 2014, após já ter pago diversas vantagens indevidas a Silval Barbosa em troca de um benefício de R$ 70 milhões em créditos de ICMS, a empresa dele foi autuada pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) em R$ 200 milhões. Diante disso, ele procurou Silval e exigiu que o problema fosse solucionado. O ex-governador então sugeriu que o valor fosse compensado por meio de incentivos fiscais no Programa de Desenvolvimento Industrial, Econômico e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), com a extensão do benefício de uma planta em Diamantino para todas as outras no estado.

Esse procedimento se deu por meio de fraude elaborada pelo então secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf e por um dos executivos da empresa, Valdir Aparecido Boni, que elaboraram um ato de governo com data retroativa, que foi assinado por Silval e Nadaf.

Na mesma época, segundo o depoimento de Wesley Batista, o Ministério Público Estadual (MPE) moveu uma ação por improbidade administrativa contra agentes do governo e contra a empresa e o executivo Valdir Boni, referente aos R$ 70 milhões de créditos que já haviam sido alvo da autuação pela Sefaz e que ele tinha feito acordo com Silval. Em decorrência da ação na Justiça, a empresa teve R$ 70 milhões bloqueados.


Promotora ajuizou ação na esfera cível, exigindo o ressarcimento ao erário, mas não abriu processo na esfera criminal pela corrupção e pela fraude em documento público

Diante do processo cível, o empresário afirma à PGR que fez um acordo com a promotora Ana Cristina Bardusco, que, segundo ele, sabia de todo o esquema de propina pago à Silval Barbosa. “Eu estive várias vezes com a promotora de justiça que coordena isso, que é a doutora Bardusco discutindo com ela, ela sabe do assunto. Depois de uma longa discussão, de um ano de discussão, nós fizemos um acordo com Mato Grosso, pagamos tudo o que nós tínhamos tido de créditos ilegais, em que pese eu falar pra promotora que o crédito só estava me colocando em igual condição com os outros”, disse.

Segundo Wesley, depois desse acordo, a JBS eliminou todas as suas pendências financeiras com o Estado de Mato Grosso. “Fizemos o acordo, pagamos tudo o que tínhamos no Estado, hoje nós não temos nenhuma pendência financeira, mas o processo lá continua, eles continuam investigando o assunto”, disse se referindo à ação que tramita na Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular, em que são réus Silval Barbosa, Pedro Nadaf, os ex-secretários de Fazenda Marcel de Cursi e Edmilson José dos Santos, além da JBS Participações S/A e o executivo Valdir Aparecido Boni.

Questionado pelo procurador membro da força-tarefa montada para atuar na operação Lava Jato se a promotora Ana Bardusco não levou o caso para a esfera criminal, já que envolvia pagamentos de propina e fraude de documentos públicos, Wesley reafirmou que ela sabia de tudo, mas não abriu o processo criminal.

“A procuradora sabe, eu fui claro o máximo que eu podia ser, ela sabe que eu fiz pagamento indevido, pagamos propina. Eu nunca neguei a ela que tinha alguma coisa errada, em que pese eu não falei o que estou falando aqui, os detalhes”, explicou.

Gazeta Digital procurou a prmotora Ana Cristina Bardusco, por meio da assessoria de imprensa do MPE, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve a versão dela sobre os fatos.

Veja vídeo em que Wesley Batista detalha propina em Mato Grosso:

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