22/05/2017 às 08:16h
'Fomos vítimas de uma criminosa armação', diz Aécio sobre grampo de Joesley Batista

Em seu último artigo publicado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (22), o senador interrompido Aécio Neves (PSDB-MG) refuta as acusações feitas pelo empresário Joesley Batista e reforçadas pela gravação das conversas entre os dois. "Não cometi nenhum crime", defende-se.

Aécio é acusado de receber R$ 2 milhões da JBS para custear despesas com a defesa em processos aos quais responde no âmbito da Operação Lava Jato.

O tucano, que deixou a presidência do PSDB na semana passada, se refere a esse capítulo em sua biografia como "abalo sísmico". Acusa Batista de tê-lo grampeado "covardemente" e de, nos diálogos, criar a ele "todo tipo de constrangimento".

Como o presidente Michel Temer, o mineiro também admite ter sido ingênuo:

Lamento sinceramente minha ingenuidade... A que ponto chegamos? Ter de lamentar a boa-fé. Não sabia que na minha frente estava um criminoso sem escrúpulos, sem interessa na verdade e querendo apenas forjar citações para ajudá-lo nos benefícios de sua delação. Aécio Neves, em artigo na Folha de S.Paulo.

O político revela "enorme tristeza" pela prisão da irmã, Andrea Neves, e do primo Frederico Medeiros, ambos presos pelo envolvimento de Aécio nos conteúdos revelados pelo grampo de Batista.

Para defender a irmã, Aécio afirma que ela procurou o dono da JBS, entre outros empresários brasileiros, para oferecer o apartamento em que mora a mãe deles e que estava à venda. "Parte desse valor nos ajudaria a arcar com os custos de minha defesa [na Lava Jato]", alegou.

Segundo o artigo, o próprio Batista sugeriu fazer empréstimo a Aécio com "recursos lícitos" e via "contrato de mútuo".

Daí por diante, fomos vítimas de uma criminosa armação feita por elementos que não se constrangeram em criar falsas situações para receber em troca os extraordinários benefícios de sua delação, inclusive ganhando dinheiro especulando contra o Brasil... Aécio Neves, em artigo.

A defesa adotada por Aécio é semelhante à de Temer, ao devolver todas as acusações para Joesley Batista, tachando-as de calúnias.

O tucano reconhece, porém, que errou "ao procurar quem não deveria".

"Errei mais ainda, e isso me corrói as vísceras, em pedir que minha se encontrasse com esse cidadão, que em processo de delação arquitetou um macabro e criminoso plano para obter certamente ainda mais vantagens em seu acordo [de delação]", destacou.

Conversa suspeita

Na conversa entre Aécio e Josley, datada de 24 de março, em um luxuoso hotel de São Paulo, eles acertam como será feita a entrega do dinheiro:

Joesley: Se for você pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.

Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho...

O Fred a que Aécio se refere é seu primo Frederico Medeiros, que foi preso semana passada. O escolhido por Joesley para entregar o dinheiro a Frederico, em quatro remessas, foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud.

A Polícia Federal filmou um dos encontros.

A investigação da PGR mostrou, entretanto, que o dinheiro não foi parar nas contas do advogado Alberto Toron, que foi citado por Aécio como seu defensor na Lava Jato.

Segundo as gravações, o primo do tucano repassou malas para um secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG), que é aliado de Aécio.

Esse assessor teria transferido o recurso para uma empresa de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.


Vídeo: Ligação telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes é investigada (Via SBT)

Ligação telefônica entre Aécio Neves e Gilmar Mendes é investigada
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