28/03/2017 às 10:00h
Ex-detento celebra a liberdade carregando cruz

Márcio Fidelis, site Dia a Dia do Vale


Assim como Jesus carregou a cruz, o pernambucano Paulo Cícero de Lima, de 54 anos, também carrega uma, mas não com destino a sua crucificação e sim a libertação espiritual. Ele saiu de São Paulo no dia 17 de agosto do ano passado e está a caminho de Cuiabá. Nesta segunda-feira (27) ele dormiu em um posto de combustível na região da Serra de São Vicente.

Segundo Paulo Cícero, já foram percorridos mais de 1.500 KM. Sua caminhada não é para pagar uma promessa e sim para celebrar sua liberdade depois de ser acusado e cumprir uma pena de 16 anos pelo crime de latrocínio, o qual ele alega que não cometeu.

“O objetivo da minha desta caminhada é chegar aos Estados Unidos da América. Estou percorrendo cerca de 50 Km diários, se eu não tivesse quebrado meu pé poderia andar mais”, disse.

Site Dia a Dia do Vale
Paulo já percorreu mais de 1,5 mil quilômetros

Para chegar ao seu destino, Paulo terá que passar por vários estados brasileiros e depois cruzar as fronteiras de seis países (Venezuela, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Honduras e México), para enfim chegar aos solos americanos, em San Diego.

O ato de fé de Paulo chama atenção de todos por onde ele passa. Sua cruz mede cinco metros de comprimento por três de largura. Feita de madeira da espécie pino, ela é oca e tem uma rodinha atrás para auxiliar a locomoção pelos acostamentos das rodovias.

Na sua Cruz, o católico leva algumas fotografias de pessoas que ele encontrou pelo caminho, as quais além de posarem ao lado dele fizeram questão de revelar a imagem e colar no objeto que retrata o episódio mais significativo da história bíblica, onde Jesus percorre as estações com destino ao Monte Calvário para sua crucificação.

Paulo Cícero de Lima é pedreiro, ele alega que ficou preso durante 16 anos por um homicídio que nunca cometeu. Se dizendo um injustiçado e tentando provar a inocência mesmo após obter a liberdade, fazer sua primeira caminhada de São Paulo a Goiás a pé com uma cruz de 40 kg nas costas. Segundo ele, o ato foi uma forma de chamar atenção da Justiça para o seu caso.

Seu primeiro trajeto foi aproximadamente 1,2 mil km, o qual começou na cidade de São Paulo, passou por Brasília e terminou em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, onde ele deixou a cruz. Ao todo, foram mais de 30 dias na estrada.

“Eu sonhei que eu estava carregando uma cruz por um caminho. Andando e carregando ela. No final, eu tive acesso ao paraíso. Por isso resolvi arrumar a cruz e ir do Tribunal de Justiça de São Paulo até o Tribunal de Justiça de Brasília. Duas semanas depois eu consegui a cruz e sai, sem nenhum centavo no bolso”, disse.

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